Uma realizadora de culto do terror enfrenta um novo vilão: o sexo mau
Uma adolescente chamada Billy vai fzer sexo pela primeira vez - sexo para o qual consentiu verbalmente, mas com relutância. Precisou ser convencida. É estranho, desconfortável. Aos seus olhos, é possível as pessoas perceberem que ela não está totalmente presente - ela está num outro lugar, como uma espectadora, olhando de fora para dentro do próprio corpo.
O novo e elegante filme de terror e fantasia da realizadora Jane Schoenbrun, ‘Teenage Sex and Death at Camp Miasma’, retrata as banalidades do sexo mau, como o que Billy (a adolescente mencionada, interpretada por Amanda Fix) tem, como uma vilã à altura de Jason Voorhees ou Michael Myers - e defende a procura por fantasia e prazer como um caminho para a autorrealização.
É um filme, explica Schoenbrun, “sobre aprender a ter uma boa relação sexual”. Essa é uma habilidade que Schoenbrun, uma cineasta trans de 39 anos, teve que aprender “depois de muitos, muitos anos antes da transição em que se sentia completamente dissociada e evitava o sexo”.
A realizadora afirma que é difícil ter uma boa relação sexual "a menos que esteja presente em si mesma, no seu próprio corpo e identidade, algo que me foi negado antes de eu me tornar eu mesma durante a transição".
‘Teenage Sex and Death at Camp Miasma’, vencedor da Queer Palm no Festival de Cinema de Cannes, é até à data o projeto mais mainstream de Schoenbrun, com estrelas conhecidas ('Hacks', com Hannah Einbinder, e a lenda de 'Ficheiros Secretos', Gillian Anderson) e um verdadeiro orçamento de marketing. É uma carta de amor experimental aos filmes slasher de série B dos anos 80 (com uma violência gráfica de pendor camp) e uma comédia romântica de stoners disfarçada de thriller erótico, que critica os estereótipos transfóbicos do cinema de terror. Mas é o sexo - e a dificuldade de estar suficientemente presente para o viver bem - que oferece a Schoenbrun o terreno mais fértil para explorar.
Nas palavras da crítica de cinema e escritora Payton McCarty-Simas , "trata-se de como, às vezes, quando se é queer, é difícil chegar ao orgasmo".
Schoenbrun, realizador de ‘I Saw the TV Glow’, tornou-se uma espécie de fenómeno de culto graças às suas experiências no cinema de terror, repletas de referências, que são simultaneamente cerebrais - as referências a Foucault surgem com grande naturalidade - e emocionalmente intensas.
Em ‘Teenager Sex and Death at Camp Miasma’, Einbinder interpreta Kris, uma cineasta queer que também se descreve como “puritana” e “intelectual”, mais à vontade a recitar teoria académica do que a comunicar com a namorada. É uma estrela em ascensão, recrutada para ressuscitar uma estagnada franquia transfóbica dos anos 80, a homónima ‘Camp Miasma’, dando-lhe o seu selo de aprovação queer. “Estão à procura de algo mais sofisticado, ou seja, woke”, graceja a agente de Kris, interpretada por uma Sarah Sherman perfeitamente irritante.
Como parte da pesquisa para o remake, Kris vai à procura da atriz Billy, que interpretou a ‘final girl’ no filme original dentro do filme e que contribuiu para despertar a sua própria sexualidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.