Zero: falta de acordo não pode adiar ação contra a seca
A associação ambientalista Zero considerou esta sexta-feira que a falta de um acordo global para o combate à seca “ não diminui a urgência de Portugal agir autonomamente “, apelando ao Governo para que “adote uma política de prevenção e gestão proativa”.
A cimeira da ONU na Mongólia contra a desertificação terminou esta sexta sem acordo global para o combate à seca, mas mobilizou 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) para a recuperação de terras.
Após intensas negociações, as partes (196 países e a União Europeia) decidiram adiar o acordo global sobre a seca para a próxima cimeira, a decorrer em 2028, no Egito .
Para a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, este adiamento “é uma oportunidade perdida”, mas “não diminui a urgência de Portugal agir autonomamente”.
“O país não pode condicionar a sua própria política de combate à seca e à desertificação ao ritmo lento das negociações multilaterais”, defendeu a associação em comunicado, assinalando que “ prevenir a degradação do solo continua a ser muito mais eficaz, e mais barato , do que recuperá-lo depois de perdida a sua fertilidade e capacidade de retenção de água”.
A Zero salienta que 71% do território de Portugal continental encontra-se em “situação de suscetibilidade moderada a muito alta” à desertificação, pelo que apela ao Governo para que conclua este ano, “tal como previsto”, o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, com “metas, indicadores, calendário e financiamento claros”.
A associação pede uma “ política nacional de prevenção e gestão proativa da seca “, que inclua “alertas precoces, retenção de água de forma sustentável e recuperação de solos”, bem como a proteção de pastagens e agroflorestas.
O Governo desafia, ainda, a inspirar-se nos fundos lançados na cimeira da Mongólia “para acelerar a ação nacional”.
Na Mongólia, os participantes conseguiram mobilizar 1,3 mil milhões de dólares de financiamento , maioritariamente público, para a recuperação de terras e a resistência à seca em 23 países, sendo que o grosso do investimento a ser realizado se destina a pastagens.
A cimeira lançou também um fundo de investimento para a resistência à seca, que visa mobilizar 400 milhões de dólares (343 milhões de euros) de capital privado para financiar projetos.
A 17.ª Conferência das Partes da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (COP17) decorreu durante duas semanas em Ulan Bator , capital da Mongólia.
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