A entediante falta de coragem
A vós me confesso.
Adoro política desde que me lembro de ser gente.
A minha mãe conta a história de que, com cinco anos, depois da derrota eleitoral, lhe perguntava o que seria feito da Manuela Ferreira Leite.
Se as datas batem certo, porque em 2009 tinha mesmo os tais cinco anos, às vezes pergunto-me o que seria que prendia aquele rapaz à televisão quando havia coisas tão mais giras em que pensar.
Cresci a querer acreditar que a grandeza da política está na nobreza da função, na liberdade que exige.
No fundo, a coragem de dizer não, de contar a verdade, de apresentar ao que vem.
No fim, a valentia de defender ideias e o descaramento de,quando vão contra a maioria, poder pensar, que se lixem as eleições.
Há valores e princípios pelos quais nos devemos reger, há um ideal do qual não devemos abdicar, porque se não for para isto não vale a pena estar na política.
Hoje, olho para o panorama com desilusão.
Não porque tenha estado iludido, mas porque, contra a racionalidade, persistimos nos mesmos erros.
Em tempos de fraqueza, teria gosto de eleger alguém que me fizesse ambicionar, que nos desse esperança.
Alguém que tivesse a coragem de tirar o penso rápido, de em frente às câmaras apresentar um problema, descrever as consequências e defender uma resolução.
Chega a ser simples: um diagnóstico, um plano de ação, com objetivos concretos e tangíveis.Para isto, é preciso desprendimento, coerência, rigor e é precisamente o oposto que temos andado a ver.
No parlamento ainda tivemos um partido liberal.
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