Denunciada destruição de altar a Maricarmen: "Não apagarão o que semeou"
O Sindicato de Inquilinas de Madrid denunciou, no sábado, a destruição de um altar dedicado a Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos que foi despejada no passado dia 23 de setembro, em Madrid, e que desencadeou uma série de protestos contra a crise da habitação em Espanha.
O organismo asseverou, contudo, que não permitirá "que destruam a sua memória desta forma".
"Nós, que acompanhámos a Maricarmen nos últimos sete anos, não vamos permitir que destruam a sua memória desta forma.
Podem tentar destruir um altar e algumas velas, mas sabem que são incapazes de apagar tudo o que a Maricarmen semeou.
A violência do arrendamento exerce-se em todo o lado, desde o Congresso até às ruas, mas o legado da Maricarmen é indelével; ela disse-nos ‘lutem pelo que é vosso’ e é isso que vamos fazer, até que a habitação saia do mercado e se torne um direito para todas", escreveu o Sindicato de Inquilinas, nas redes sociais.
A entidade partilhou algumas fotografias, na rede social Instagram, nas quais se veem velas e mensagens deixadas em frente à entrada da casa da idosa espalhadas pelo chão.
Entretanto, o altar já está a ser reconstruído, conforme noticiou o El Diario, esta segunda-feira.
"Podem tirar as flores, as velas, as mensagens… mas nunca poderão tirar a dignidade de Maricarmen" e "Maricarmen, não te esquecemos" são algumas das inscrições que agora adornam o local, onde antes se encontravam ramos de flores, vasos de plantas, velas e bilhetes de inúmeras pessoas.
Recorde-se que Maricarmen Abascal morreu no passado dia 7 de outubro , segundo anunciou o Sindicato de Inquilinas, que lamentou que, "embora tenha sido alcançado um acordo histórico que lhe permitiria regressar a sua casa, essa solução tenha chegado demasiado tarde - uma situação absolutamente evitável após um processo penoso".
O sindicato referia-se ao acordo assinado a 28 de setembro com a Urbagestión – empresa proprietária do imóvel onde Maricarmen residia – para permitir que idosa, uma mulher com 50% de deficiência e problemas de mobilidade, pudesse regressar à casa onde viveu durante 71 anos, na rua Alcalde Sainz de Baranda, em Madrid.
A luta de Maricarmen junto da associação intensificou protestos pelo direito a habitação digna, que resultaram no acampamento de uma multidão na Porta do Sol e levaram à aprovação de dois decretos.
No entanto, as medidas foram chumbadas pelo Congresso, o que precipitou a dissolução das Cortes Gerais e o anúncio de eleições legislativas antecipadas.
Maricarmen tinha um contrato de arrendamento de regime antigo, assinado pelo pai e, depois, transferido para a mãe.
Após ter adquirido o apartamento, a Urbagestión considerou o contrato extinto e exigiu um novo valor de renda que a idosa não tinha condições para pagar.
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