Incêndio no Ministério da Educação da Albânia em protesto de estudantes
Um incêndio deflagrou hoje em dois andares do edifício do Ministério da Educação da Albânia, após o lançamento de 'cocktails molotov' por estudantes que protestavam contra os custos da educação e a deterioração das instalações escolares.
O canal televisivo CNN A2 relatou que o incêndio afetou o primeiro e o segundo andares do edifício, enquanto os manifestantes gritavam "deixem arder, deixem arder" e lançavam dispositivos incendiários, que provocaram outro incêndio numa agência bancária próxima.
Esta estação televisiva, citada pela agência de notícias espanhola EFE, reportou que os estudantes estavam a marchar em direção ao edifício do parlamento e forçaram a entrada no Ministério das Finanças.
Este é o segundo dia de protestos violentos, com a polícia a recorrer a gás lacrimogéneo e canhões de água, tendo detido um número indeterminado de manifestantes.
No centro da capital albanesa, Tirana, dezenas de jovens encapuzados também partiram as janelas de um banco e tentaram arrancar lajes do passeio.
A vice-primeira-ministra, Albana Kociu, reconheceu o direito de protestar, mas pediu aos estudantes que se abstenham de cometer atos de vandalismo e de recorrer à violência, e denunciou os "interesses políticos" por detrás destas manifestações.
"O protesto é um direito legítimo, mas não pode ser usado como justificação para a violência, a destruição da cidade ou confrontos horríveis no meio da rua", disse, numa mensagem na rede social Facebook.
Os motins ocorreram enquanto estudantes de várias universidades de Tirana marchavam pela cidade para denunciar a deterioração das instalações, o custo da educação, a escassez de apoio financeiro e as poucas oportunidades de emprego após a graduação.
As universidades de Elbasan, no centro do país, e Shkodër, no norte, suspenderam as aulas em solidariedade com os protestos.
A delegação da União Europeia na Albânia – país candidato à adesão ao bloco europeu - expressou hoje preocupação com a "escalada da violência" e apelou a uma ação policial "proporcional".
Os protestos e os consequentes confrontos de terça-feira prolongaram-se por mais de oito horas e resultaram em 40 detenções e vários feridos transferidos para o hospital de trauma da capital.
Grupos de manifestantes saquearam escritórios financeiros e queimaram móveis na rua e, horas depois, à noite, alguns invadiram a Câmara Municipal de Tirana.
Os estudantes tornaram-se o setor mais ativo da chamada "Revolução dos Flamingos", que começou no final de maio para proteger uma zona húmida no sul do país de um projeto de turismo de luxo ligado a Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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