Quanto petróleo está realmente a sair do Golfo Pérsico?
Está a surgir um debate no mercado petrolífero: será que o Estreito de Ormuz está muito mais “aberto” do que pensávamos?
O entendimento generalizado era de que a crucial via marítima estava, na prática, fechada ao tráfego de petroleiros. O Irão disparou contra dezenas de petroleiros que tentavam atravessar o estreito. Os serviços de acompanhamento marítimo, que utilizam uma combinação de dados dos sistemas de identificação automática dos navios e imagens de satélite, têm registado uma queda significativa no número de embarcações que tentam navegar nestas águas. As reservas mundiais de petróleo continuam a diminuir.
Mas o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, contou uma história muito diferente na semana passada: o estreito está aberto e o petróleo está a fluir a um ritmo significativamente superior ao que o mercado calcula.
Wright teria razões para o saber: as forças militares norte-americanas estão precisamente naquela zona, a patrulhar as águas, a escoltar navios para dentro e para fora do estreito e a protegê-los de ataques inimigos. A Marinha fornece ao Departamento da Energia informações detalhadas sobre que navios estão a atravessar o estreito e quando.
“Em coordenação com as forças militares dos EUA, o Departamento da Energia mantém os melhores dados disponíveis sobre o petróleo e os produtos petrolíferos que saem do Golfo Pérsico”, afirmou um porta-voz do Departamento da Energia.
Não seria invulgar que a administração Trump tentasse pressionar os preços do petróleo em baixa. O presidente Donald Trump afirmou repetidamente que os Estados Unidos controlam o Estreito de Ormuz e diz frequentemente que um acordo com o Irão está iminente. O secretário Wright afirmou que os Estados Unidos estão a garantir que existe petróleo suficiente para chegar ao seu destino.
Ignorando a retórica, os analistas de Wall Street têm confiado sobretudo nos dados de acompanhamento de navios que recebem de empresas terceiras, bem como nas medições de reservas divulgadas pelo setor e noutros dados.
Mas isso pode estar a mudar. Ou, pelo menos, pela primeira vez desde o início da guerra, alguns analistas de Wall Street poderão estar dispostos a considerar que a administração norte-americana pode estar a dizer a verdade sobre o estado do mercado petrolífero.
Isso poderá dar à administração Trump uma influência significativamente maior sobre o Irão do que se pensava anteriormente.
Wright afirmou que a média de petróleo que saiu do Estreito de Ormuz nos sete dias anteriores tinha aumentado para 9 milhões de barris por dia. Hussain salientou que esse valor contradizia diretamente a afirmação do Irão de que o estreito estava fechado — e os dados de acompanhamento de navios, que apontavam para cerca de metade do valor indicado por Wright.
“Está a tornar-se cada vez mais difícil saber quanto petróleo está a sair do Golfo”, afirmou Hamad Hussain, economista sénior especializado em clima e matérias-primas na Capital Economics.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.