Este FC Porto não sabe servir em jantares de gala e ainda leva pistolas para dar tiros nos pés
Ter vários serviços de loiça para servir os convidados que vão lá a casa é um luxo a que nem todos nos podemos dar. É estranho, portanto, que sirvamos um jantar especial num prato qualquer quando temos porcelana da mais fina guardada no armário. Se não a vamos usar ali, vamos usá-la quando?
A metáfora que mais parece vir de Ílhavo tem de ter o seu devido contexto, claro: Samu ainda não estará a 100%, Oskar Pietuszewski talvez não aguente tamanha intensidade tanto tempo e até Alberto Costa precisa de descansar.
Dito isto, é outra loiça jogar com estes três ou jogar com André Silva, Borja Sainz ou Martim Fernandes. Sem desprimor para os que foram titulares esta quarta-feira em Sevilha, os outros são mesmo muito melhores, não foram foi a tempo de emendar o que já estava mal feito. Ou até foram, mas os colegas decidiram não respeitar isso.
É isso e quase só isso que explica que o FC Porto tenha, num jogo quase sempre mal conseguido, quase arrancado pontos frente a um Bétis que, diga-se a verdade, foi melhor, pelo menos durante mais tempo. E dizemos quase porque acabou mesmo por perder, tamanhos foram os tiros nos pés que foi dando durante o jogo, com o tiro final a chegar em forma de um penálti infantil.
Sem Jan Bednarek ou William Gomes, pedras fundamentais na equipa de Francesco Farioli por diferentes motivos, o treinador foi mesmo obrigado a “inventar”, colocando Pablo Rosario no centro da defesa com Jakub Kiwior. Isso fez saltar para o onze aquele que terá sido o pior jogador da equipa - situação que já se vem repetindo, de resto -, Alan Varela.
O argentino esteve mais do que errático, falhando passes para trás e para a frente, um deles num erro tremendo que deixou Antony com a baliza pela frente - o brasileiro acertou no poste num lance ocorrido já na segunda parte.
Depois de uma entrada a todo o gás do Bétis, o FC Porto lá conseguiu serenar e estabilizar-se minimamente, mas os tais passes errados - não foi só Alan Varela, diga-se - eram tantos que podiam tirar os nervos ao mais empedernido dos adeptos.
Sempre que a equipa conseguia sair de forma organizada, faltava depois o resto. Borja Sainz, Pepê e André Silva não é, neste momento, um ataque de nível Champions. Um pouco como aconteceu com o Manchester City, a equipa parecia algo coxa e incapaz de se ligar a partir de um certo momento, ficando demasiado curta no campo.
Perante isso, a única surpresa foi que o jogo tenha chegado ao intervalo com 0-0 no marcador. E o FC Porto até marcou por Martim Fernandes, mas o golo foi anulado por mão na bola. A contar, sejamos justos, seria injusto.
De regresso dos balneários, a toada foi exatamente a mesma. Bétis por cima, erros difíceis de entender num nível destes e, do outro lado, a magia de Abde para o 1-0. Um golo do tamanho do La Cartuja para o marroquino, que deixou tudo em polvorosa.
A resposta demorou ainda um pouco e só surgiu porque os génios são génios. Abde tinha-o sido antes e Gabri Veiga, que até estava a fazer um jogo a roçar o anónimo, foi-o a seguir. Num livre em que surpreendeu o guarda-redes com uma espécie de raquetada, o jogador espanhol conseguiu empatar tudo num jogo que parecia mais inclinado para outra coisa.
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