Luís Montenegro anuncia Universidade de Bragança numa longa defesa do Governo: "Acertamos quase sempre"
O primeiro-ministro Luís Montenegro aproveitou o encerramento da Universidade de Verão do PSD para fazer anúncios de medidas na área da Educação, guardando para o final da sua longa intervenção a criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior , "culminar do processo de transição da Universidade Politécnica de Bragança", e a apresentação, "nos próximos tempos", de um novo regime de autonomia e governação das escolas", prevendo a eleição geral dos diretores dos estabelecimentos de ensino não universitário.
Montenegro terminou mais de meia hora de discurso, perante a centena de jovens participantes na Universidade de Verão do PSD, que decorreu ao longo da semana em Castelo de Vide, com uma antecipação das críticas que receberia à forma como ignorou outros temas que não a Educação.
"Não falei do caso A, da situação B e da oposição C.
Até prevejo que muitos dirão que fugi de falar disto, daquilo ou daqueloutro", disse o líder social-democrata e primeiro-ministro, que não dedicou uma sílaba à ameaça de moção de censura feita pelo Chega caso não exonere o ministro da Administração Interna, Luís Neves, ou a temas como o relatório final do Grupo de Trabalho para a Reforma da Segurança Social.
O mais próximo de uma reação a críticas feitas ao seu Governo foi o reconhecimento de que o processo de digitalização da avaliação dos exames nacionais "não correu bem e lamentamos as perturbações que aconteceram durante algum tempo" .
No entanto, mesmo nesse ponto o primeiro-ministro enfatizou a "determinação e a convicção" de estar no "caminho correto".
Mais tarde, num registo próximo da célebre máxima atribuída ao antigo primeiro-ministro social-democrata (mais tarde Presidente da República) Cavaco Silva - "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas" -, Montenegro reiterou, acerca da sua crença de que "é preciso fazer escolhas e enfrentar resistências", que "nós podemos não acertar sempre, mas acertamos quase sempre".
Enumerando indicadores positivos, como o aumento de 25% de candidatos e de 14% de colocados na primeira fase do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior e o reforço de 40 milhões de euros anuais na ação social para universitários, num "modelo mais equitativo, com o ajustamento das bolsas aos rendimentos dos estudantes e à localidade onde estão a estudar", o primeiro-ministro não poupou críticas à governação socialista que o antecedeu.
"As gavetas estavam cheias de coisas para fazer.
Não era por falta de aviso ou por falta de estudo.
Era mesmo por falta de coragem", acusou , contrapondo a criação, pelos seus executivos, da Universidade Técnica do Porto e da Universidade de Leiria e do Oeste.
Também realçada pelo primeiro-ministro foi a aposta na Ciência e na Inovação.
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