Giorgia Meloni defende que suspensão de Schengen é prática comum
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, defendeu hoje a sua decisão de suspender o acordo de livre circulação Schengen com Espanha a 01 de agosto na sequência da crise em Ceuta, afirmando tratar-se de uma prática comum.
"Não podemos aceitar que defender fronteiras seja um direito para uns e uma falha para outros quando se trata de Itália", afirmou Meloni no Senado (câmara alta do parlamento italiano), durante uma audição na qual manifestou surpresa com a controvérsia política que se seguiu à sua decisão e acusou a oposição de se aliar a Espanha com o objetivo de minar o seu Governo.
"Devo dizer que a controvérsia que se seguiu me parece bastante surreal, especialmente vinda de alguns partidos da oposição, que estão claramente mais preocupados em defender o Governo espanhol do que a segurança e as fronteiras de Itália", referiu, dirigindo-se a um aliado tradicional do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o Partido Democrático-Itália Progressista (PD-IDP), liderado por Elly Schlein, o terceiro maior partido no Senado.
Ceuta, um enclave espanhol situado no norte de África, anunciou no final de julho que tinham entrado naquele território mais de 70 mil migrantes irregulares provenientes de Marrocos.
A situação desencadeou uma crise migratória naquele território e uma crise diplomática na Europa.
Vários países europeus reagiram à crise, pedindo a suspensão de Espanha do espaço Schengen, onde há livre circulação de pessoas na Europa, para impedir a entrada dos migrantes marroquinos no continente.
A Itália suspendeu mesmo o acordo de Schengen com Espanha, restabelecendo controlos temporários nas fronteiras aéreas e marítimas para viajantes oriundos de território espanhol.
A medida tem vindo a ser sucessivamente prolongada, gerando uma crise diplomática no seio da União Europeia A 30 de setembro, Roma anunciou uma nova prorrogação de 15 dias destes controlos fronteiriços, argumentando que as condições que levaram à decisão inicial ainda se mantêm.
"A Itália decidiu restabelecer temporariamente os controlos nas suas fronteiras aéreas e marítimas internas com Espanha, com base numa avaliação de segurança", argumentou Meloni.
O acordo Schengen permite que qualquer Estado-membro restabeleça controlos nas suas fronteiras, mas apenas em circunstâncias excecionais, quando esteja em causa a defesa da segurança ou da ordem públicas.
Para a primeira-ministra italiana, esta medida é "um instrumento comummente utilizado" que os Estados-membros utilizaram "quase 500 vezes desde 2006", sendo que, "em 30 casos, os controlos afetaram diretamente a Itália".
A França, por exemplo, "mantém connosco controlos fronteiriços há mais de 10 anos", apontou.
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