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“Um momento no tempo”. Pegadas fósseis lançam nova luz sobre o “Homem Quebra-nozes”

CNN Portugal ·
“Um momento no tempo”. Pegadas fósseis lançam nova luz sobre o “Homem Quebra-nozes”

Os cientistas voltaram a analisar a imagem tradicional do “Homem Quebra-nozes” - um hominídeo extinto , ou parente do ser humano, apelidado assim por causa dos dentes grandes e músculos da mandíbula poderosos - graças a uma nova análise de pegadas fósseis localizadas no Quénia.

O “Homem Quebra-nozes”, cuja espécie é cientificamente conhecida como Paranthropus Boisei, viveu na África Oriental há cerca de 2,3 milhões a 1,2 milhões de anos e estas novas evidências sugerem que o Paranthropus Boisei era mais alto e mais pesado e tinha relações sociais mais complexas do que se pensava anteriormente.

Estimativas anteriores, baseadas em evidências fósseis do Paranthropus Boisei, sugeriam que os machos tinham cerca de 131 centímetros de altura e pesavam, em média, aproximadamente 49 quilos. Cálculos atualizados, baseados no comprimento e na largura de 21 pegadas de Paranthropus Boisei recentemente identificadas, sugerem que o tamanho do “Homem Quebra-nozes” era mais semelhante ao dos humanos, podendo atingir 1,8 metros de altura e pesar até 75 quilos.

Os padrões nas pegadas indicam ainda que estas pertenciam a oito indivíduos de Paranthropus Boisei que atravessaram o local - a Formação Koobi Fora, em Turkana Oriental - ao mesmo tempo, viajando em grupo. Estas pegadas preservadas fornecem pistas sobre a complexidade da sua estrutura social no habitat à beira do lago, relataram os investigadores na segunda-feira na revista PNAS .

“O local capta um retrato surpreendente da anatomia, locomoção, comportamento e ambientes dos hominídeos”, afirma o autor principal do estudo, Kevin Hatala, professor associado de biologia na Universidade de Chatham, em Pittsburgh, e investigador associado no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha.

“Cada conjunto de pegadas como este oferece uma janela para um momento no tempo em que podemos observar diretamente como os hominídeos viviam e interagiam com os seus ambientes”, diz Kevin Hatala à CNN, em declarações por e-mail. “Pensamos que as pegadas possam retratar um grupo de machos adultos a deslocarem-se em conjunto ao longo da margem do lago”, afirma, acrescentando que a ameaça de animais perigosos, como os hipopótamos, poderia explicar por que razão o grupo incluía apenas machos adultos.

“As pegadas são fósseis importantes porque nos fornecem informações tanto anatómicas como comportamentais”, afirma Patricia Kramer, professora do departamento de antropologia da Universidade de Washington, em Seattle, e curadora afiliada de arqueologia no Museu Burke. Patricia Kramer já tinha estudado estas pegadas anteriormente, mas não participou na nova investigação.

“Estou entusiasmada por os autores terem fornecido informações e análises adicionais sobre as pegadas em Koobi Fora”, diz a investigadora à CNN, também em declarações por e-mail.

As pegadas, que têm cerca de 1,4 milhões de anos, são bem definidas, com profundidades que atingem 4,7 polegadas (12 centímetros), e foram provavelmente deixadas na lama nas águas pouco profundas de um lago, relataram os autores.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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