Sem capacete, sem colete e sob fogo: como um comandante ucraniano entrou na "zona da morte" para resgatar dois soldados feridos
Vladyslav Polskyi sabia que a missão era de alto risco. Ainda assim, entrou numa das zonas mais perigosas da frente de batalha ucraniana para resgatar dois soldados feridos que tinham ficado isolados depois de o veículo terrestre não tripulado que os retirava ser atingido por um drone russo.
O comandante ucraniano, de 29 anos, conduziu uma carrinha até ao local onde estavam os militares, numa operação acompanhada à distância pela sua unidade. Segundo relata a Reuters , avançou sem capacete e sem colete à prova de bala.
A área onde os soldados se encontravam é conhecida entre as tropas ucranianas como a "zona da morte", devido à presença de minas e à vigilância constante de drones russos.
Polskyi, conhecido pelo nome de guerra "Professor", conseguiu chegar aos dois homens, colocá-los na carrinha e iniciar o regresso. Os três conseguiram sair da área em segurança.
Os dois militares estavam a ser retirados do campo de batalha através de um veículo terrestre controlado remotamente. Estes equipamentos têm sido cada vez mais utilizados na guerra na Ucrânia para reduzir a exposição dos soldados durante operações de evacuação.
Neste caso, no entanto, a operação falhou. Um drone russo atingiu o veículo e danificou o terminal Starlink utilizado para estabelecer a ligação com o operador. Sem comunicação, o equipamento ficou imobilizado no terreno.
Um dos soldados conseguiu deslocar-se até uma vala e esconder-se na vegetação. O segundo, que tinha ferimentos graves numa perna, ficou junto ao veículo e sem condições para abandonar o local. Foi então que Pokskyi decidiu avançar para a zona.
Imagens captadas por um drone de vigilância mostram a carrinha a deslocar-se por uma estrada de terra até ao local onde estavam os militares. No posto de comando, os restantes elementos da unidade acompanhavam a operação através dos monitores.
"Todos no centro de comando ficaram chocados", contou à Reuters um dos operadores.
Antes de entrar para o Exército ucraniano, em 2023, Polskyi era professor de Ciências. Desde então, passou a participar em operações militares na linha da frente.
A missão de 15 de agosto acabou por lhe valer a mais importante distinção militar do país. Durante as celebrações do Dia da Independência, o presidente Volodymyr Zelensky atribuiu-lhe o título de Herói da Ucrânia.
"Se tivesse acontecido comigo, teria querido que eles me viessem buscar, e não me deixassem simplesmente lá", explicou à Reuters.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.