Atividade desportiva pode melhorar a satisfação com a vida dos jovens
A atividade desportiva aumenta a satisfação com a vida dos jovens, concluíram investigadores da Universidade Politécnica da Guarda (UPG) num estudo que venceu o prémio de melhor artigo científico publicado na revista Sports.
O estudo sobre os efeitos da prática desportiva na inteligência emocional, autoestima e satisfação na vida dos jovens foi desenvolvido por Miguel Fernandes, Pedro Esteves e Teresa Fonseca, docentes do Departamento de Desporto da UPG.
Os investigadores, que integram o SPRINT – Centro de Investigação e Inovação em Desporto, Atividade Física e Saúde, contaram com a colaboração de Aristides Rodrigues, investigador e docente da Universidade de Coimbra.
"Os resultados obtidos proporcionam novas perspetivas sobre os potenciais mecanismos emocionais e psicológicos subjacentes à associação entre a participação desportiva dos jovens e a satisfação com a vida", afirmou Miguel Fernandes, principal responsável pelo estudo, citado num comunicado da UPG enviado à agência Lusa.
O estudo analisou os efeitos comparativos de diferentes tipos de envolvimento desportivo – em equipa, individual e não participação – nas diferentes variáveis selecionadas.
A investigação envolveu uma amostra de 1.053 adolescentes portugueses (612 raparigas e 441 rapazes) com idades entre os 12 e 18 anos, que preencheram instrumentos de autoavaliação, de autorresposta e de perceção da inteligência emocional.
Foram também utilizadas a Escala de Autoestima de Rosenberg, teste psicológico que mede a autoestima global e o valor próprio de um indivíduo, e a Escala de Satisfação com a Vida, que avalia o julgamento cognitivo global da satisfação de um indivíduo com a própria vida.
"O estudo concluiu que a participação em desportos juvenis organizados contribui para o desenvolvimento de dimensões específicas da inteligência emocional, nomeadamente a utilização das emoções e da autoavaliação emocional", adiantou a UPG.
Estas, por sua vez, conduzem "a níveis mais elevados de autoestima e de satisfação com a vida".
O trabalho revelou também que "tanto a participação em desportos coletivos, como individuais, está associada a níveis mais elevados de utilização das emoções, quando comparada com adolescentes não praticantes de qualquer atividade desportiva".
"As conclusões apontam para que os treinadores desportivos e os investigadores implementem programas de educação emocional no contexto do desporto juvenil, com o objetivo de fomentar o bem-estar emocional e psicológico durante a adolescência".
É ainda sugerido que estes programas devam incluir "a avaliação das consequências a curto e longo prazo" e "novas técnicas de treino psicológico mais consolidadas, tais como o treino de competências de enfrentamento e de regulação emocional".
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