Novo Tesla Roadster vai poder andar e levantar voo em Portugal?
A Tesla voltou a agitar o mercado com o Tesla Roadster, prometendo acelerações brutais e uma controversa variante capaz de voar. Quem visita o configurador da marca depara-se com números impressionantes. A realidade deste lado do Atlântico dita regras diferentes. Entre o espetáculo de Elon Musk e as exigências do Regulamento (UE) 2018/858, a distância é enorme, colocando dúvidas sobre se este superdesportivo alguma vez pisará o asfalto nacional.
A resposta para os portugueses é um rotundo não. Nenhuma das variantes tem luz verde para circular na União Europeia, e a marca nem sequer iniciou o processo de homologação , apontando a produção apenas em 2028. Pagar um adiantamento no site oficial não confere qualquer garantia de matrícula atribuída pelo IMT, e o caso do Cybertruck serve de alerta: nem tudo o que sai das fábricas da Tesla obtém autorização para cruzar as fronteiras europeias.
Apenas a versão Performance surge com argumentos plausíveis para circular nas estradas portuguesas sem infringir a lei. Este modelo aposta numa aerodinâmica ativa agressiva e num sistema de aspiração através de ventiladores inferiores, dispensando os propulsores a gás comprimido. Ainda assim, terá de cumprir todos os testes rigorosos de proteção de peões, sistemas de travagem de emergência e iluminação obrigatória. Além de justificar aos reguladores a segurança da sua direção eletrónica sem ligação mecânica tradicional.
Uma alternativa viável para a marca contornar exigências mais pesadas seria recorrer ao regime de homologação para pequenas séries previsto pela Comissão Europeia. Este enquadramento limita o volume de vendas a 1 500 unidades anuais em todo o bloco comunitário. Isso encaixaria no perfil de um carro exclusivo e de nicho. Resta perceber se a construtora quer limitar a oferta ou se tentará a homologação completa padrão para a frota europeia.
O cenário complica-se bastante com a versão Thrust, desenhada com propulsores traseiros de gás frio e tanques de ar comprimido com cerca de 600 litros de capacidade. As normas de circulação rodoviária em vigor não contemplam automóveis que expelem jatos de ar a alta pressão sobre os carros vizinhos ou peões nas passadeiras. A União Europeia prevê o artigo 39 para acolher novas tecnologias com testes específicos de equivalência de segurança, mas, sem avanços práticos, o destino desta variante ficará restrito a voltas ocasionais no Autódromo do Estoril ou de Portimão.
No topo da gama surge a versão Rocket, o modelo exclusivo por convite que promete pairar no ar através de impulsão pura, dispensando asas ou hélices. A Tesla admite discretamente que este veículo não tem aprovação para vias públicas, abrindo um vazio legal insólito quanto à sua classificação. Sem sustentação aerodinâmica típica, escapa às definições comunitárias clássicas de aeronave, mas perante os reguladores da aviação civil e do tráfego automóvel, colocar este carro a saltar filas de trânsito continuará a ser pura ficção científica.
Quem em Portugal estiver a ponderar reservar o desportivo norte-americano deve encarar os vídeos promocionais com enorme pragmatismo.
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