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Primeiro ministro francês critica proposta "perigosa" de Mélenchon e acusa esquerda radical de defender a saída da França do euro

CNN Portugal ·
Primeiro ministro francês critica proposta "perigosa" de Mélenchon e acusa esquerda radical de defender a saída da França do euro

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acusou este sábado o líder da esquerda radical e candidato à Presidência, Jean-Luc Mélenchon, de adotar uma posição antipatriótica com a sua proposta de anular uma parte da dívida e de estar, na prática, a defender que a França saia do euro.

"É uma das formas de prejudicar a zona euro e, no fundo, de pôr em causa o nosso sistema monetário europeu", afirmou Lecornu numa entrevista ao canal BFMTV, quando questionado sobre a proposta atualizada por Mélenchon de anular a dívida francesa detida pelo Banco Central Europeu, que representa cerca de um terço do total, o equivalente a cerca de 600.000 milhões de euros.

Repreendeu o "líder" da La France Insoumise (LFI) — que as sondagens colocam como o segundo candidato com maior intenção de voto, apenas atrás da extremista de direita Marine Le Pen — por pretender, sem o admitir, que a França saia do euro ou "em todo o caso, criar uma brecha na estrutura do sistema monetário europeu".

Na sua opinião, por trás disso existe um projeto político "disfarçado" e "demagógico", uma vez que "todo o seu programa se baseia no contrário da realidade" e, para o financiar, recorreu a "algo irreal que equivale a anular a dívida".

A ideia de anular a dívida francesa detida pelo BCE é uma proposta que Mélenchon defende há anos, mas que agora atualizou com vista à sua candidatura às eleições presidenciais da próxima primavera. Na quinta-feira, precisou que, caso chegasse ao Eliseu, iria discutir o assunto com os outros países europeus e mostrou-se convencido de que teria aliados, em particular noutros países "latinos".

A sua ideia é que essa anulação seria indolor, permitiria à França livrar-se de grande parte da pressão financeira a que está sujeita devido aos seus elevados défices e, além disso, permitiria a descida das taxas de juro.

Lecornu, que, por seu lado, reiterou não ter ambições de se candidatar às eleições presidenciais, rejeitou essa proposta como "perigosa", pois, além de implicar uma responsabilidade "moral", implicaria também uma "patriótica", uma vez que colocaria em risco o financiamento da dívida francesa.

Salientou, de facto, que "se há algo que ainda funciona é o facto de a França continuar a ser credível nas suas emissões" de títulos de dívida e, na sua opinião, a anulação da dívida geraria dúvidas sobre a sua capacidade de continuar a honrar as suas obrigações de reembolso.

"Não pagar a dívida é um roubo", indignou-se o primeiro-ministro, que tem, nas próximas semanas, o desafio de apresentar um projeto de orçamento para 2027 e, sobretudo, de conseguir que este seja aprovado por um Parlamento muito fragmentado e que, provavelmente, estará pouco disposto a compromissos, com os olhos postos nas eleições presidenciais.

A dívida pública francesa, que no primeiro trimestre deste ano subiu para 117,5 % do produto interno bruto (PIB), surge como um dos principais temas da campanha, tendo em conta a incapacidade, nos últimos anos, de controlar o défice, e o próprio Governo reconheceu ter dúvidas quanto ao cumprimento do seu objetivo de o manter nos 5 % do PIB este ano.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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