Burnham recebe Zelensky: "Não vai partir do Reino Unido de mãos vazias"
Após uma audiência com o Rei Carlos III, Zelensky encontrou-se com o chefe de Governo britânico em Downing Street (residência e gabinete oficial do primeiro-ministro), que horas antes, no parlamento, prometeu que iria "escutar atentamente" o chefe de Estado da Ucrânia.
"Ele não vai partir hoje do Reino Unido de mãos vazias", prometeu.
Burnham recebeu Zelensky com uma guarda de honra da Guarda Irlandesa, formada pelos emblemáticos soldados de casaco vermelho e chapéu alto de pele de urso, algo normalmente reservado para cerimónias mais formais.
A visita do líder ucraniano a Londres acontece numa altura em que Kiev se queixou publicamente de não ter recebido informações dos aliados sobre os mais recentes ataques russos com mísseis balísticos e de limitações no uso sistema de comunicações por satélite Starlink, da SpaceX de Elon Musk.
O Reino Unido apelou hoje aos parceiros internacionais para que reforcem as sanções e aumentem a pressão sobre a Rússia para respeitar os apelos dos Estados Unidos a um "cessar-fogo energético".
Entretanto, o Governo anunciou hoje que vai antecipar a entrega de mísseis terra-ar britânicos "Lightweight Multirole Missiles" (LMM), eficazes contra os drones a jato que estão a ser utilizados pela Rússia para atacar o interior da Ucrânia, incluindo a capital Kiev e outras zonas.
Estes drones são mais rápidos e podem voar a altitudes muito superiores às dos 'Shaheds' movidos a hélice, tornando-os mais difíceis de detetar e destruir antes de atingirem os alvos.
Um pacote de 10 milhões de libras (12 milhões de euros, ao câmbio atual) destinado a satisfazer as necessidades mais urgentes da Ucrânia para o inverno faz parte de um total de 45 milhões de libras (53 milhões de euros) anunciado previamente pelo executivo britânico.
O Reino Unido comprometeu-se a investir 1,6 mil milhões de libras (1,9 mil milhões de euros) para fornecer mais de cinco mil LMM à Ucrânia nos próximos quatro anos.
Questionado hoje no parlamento sobre a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de levantar sanções sobre o gasóleo russo e as críticas a Zelensky, sugerindo que a Ucrânia deve ter "um novo líder capaz de chegar a um acordo" de paz com Moscovo, Burnham evitou criticar o governante norte-americano.
"O que tenho de fazer no meu cargo é tentar restabelecer as relações para que o apoio volte a existir e, por isso, devo, neste momento, agir com cautela para criar as condições necessárias para unir novamente as pessoas.
É esse o papel que pretendo desempenhar.
É o papel apropriado para mim neste momento", respondeu.
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