A normalidade em tempos anormais
O tempo da chuva já não é o mesmo, e o do calor … esse nem se fala! Aquece o xadrez geoeconómico que vive um momento de rara volatilidade.
A guerra no Irão e o estrangulamento do estreito de Ormuz demonstram que a segurança energética regressou ao centro da estratégia geopolítica.
A incerteza energética global não é uma ameaça, é uma oportunidade para as Áfricas redefinirem o seu lugar, com mais de 125 mil milhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, 620 biliões de pés cúbicos de gás e mais de 30% das reservas mundiais de minerais críticos, deixam o continente no centro das atenções.
As Áfricas ainda são, simultaneamente, vítimas e peça-chave.
Vítimas, porque importam quase a totalidade dos combustíveis refinados e peça-chave porque, concentram reservas significativas de petróleo e uma parte expressiva de gás natural global ainda por desenvolver.
A questão é que enfrentam critérios de financiamento cada vez mais restritivos que penalizam projectos de longo prazo para inclusão energética das suas pessoas.
As Áfricas ainda detêm minerais críticos para a transição energética, incluindo 70% da produção global de cobalto, que deve ser transformado em baterias, e não exportado em bruto isto sem falar do potencial do rei sol.
Num momento em que lá para o Norte se procura diversificar fontes alternativas ao gás russo, empurram-se investimentos, tecnologia e parcerias para as Áfricas .
São tempos ao contrário, mas a oportunidade só se transformará em desenvolvimento se as Áfricas falarem a uma só voz.
Se coordenadas posições, permitem exigir contratos justos, transferência de tecnologia e industrialização.
A refinaria de Dangote mostra que não faltam alavancas estratégicas e que é possível agregar valor localmente e criar empregos.
A normalidade em tempos anormais já não existe… É preciso construir um novo normal, um em que a riqueza das Áfricas sirva primeiro às Áfricas que continuam a ser as fornecedoras de recursos que outros transformam, enquanto as Áfricas Subsarianas precisam de subir a actual taxa de eletrificação, pois hoje apenas 53% dessa população beneficia, é preciso lutar pela inclusão energética, a juventude não nos perdoará e com razão! A coordenação é agora uma necessidade estratégica e, através da AfCFTA, o alinhamento de preços, infraestruturas e políticas energéticas comuns as condições para sucesso, exigem instituições fortes e assentes em princípios da boa governação com visão de longo prazo.
A hora é agora de transformar a riqueza das Áfricas em prosperidade partilhada pela primeira vez em gerações.
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