Suspensa obra de remoção de amianto na antiga escola de Cascais
"Dessa inspeção resultou a suspensão da obra, uma medida exigida pela associação devido às graves irregularidades detetadas no terreno, como a inconformidade com o plano de trabalhos aprovado, com a legislação nacional e com as boas práticas na remoção de amianto, em incumprimento com as normas de segurança", adiantou a organização em comunicado.
A agência Lusa contactou a ACT, que remeteu para mais tarde um esclarecimento.
De acordo com a Associação Portuguesa de Proteção contra o Amianto (SOS Amianto), na sequência da denúncia e do pedido urgente que apresentou, a ACT realizou hoje uma ação inspetiva aos trabalhos de remoção de amianto na Escola Secundária de Cascais.
A associação adiantou ainda que os trabalhos deverão manter-se suspensos até serem "totalmente cumpridas e corrigidas as inconformidades identificadas" durante a ação inspetiva da ACT, garantindo que "qualquer retoma da intervenção acautele rigorosamente a saúde e a segurança de toda a comunidade e dos trabalhadores".
Na quinta-feira, a Proteção Civil de Cascais assegurou que a retirada de amianto da antiga escola secundária do concelho não representava perigo para os alunos, docentes e funcionários da nova escola, inaugurada há quase um mês.
O início dos trabalhos, na passada segunda-feira, para remoção de amianto no edifício velho da Escola Secundária de Cascais, enquanto decorrem atividades letivas na nova escola, num espaço contíguo, está a preocupar a comunidade educativa, que pediu a suspensão dos trabalhos até estarem reunidas todas as condições de segurança, um pedido que a SOS Amianto também tinha feito.
A SOS Amianto alertou que a remoção do material representa um risco para as comunidades envolventes, incluindo a escola ao lado, e recorda que a existência de amianto significa a existência de um perigo.
A associação recordou que o amianto é um carcinogénico de categoria 1A, cujas fibras invisíveis em suspensão não respeitam vedações provisórias face a procedimentos deficientes, e citou a Organização Mundial de Saúde para dizer que não existe valor de exposição a amianto abaixo do qual se possa considerar que não há risco para a saúde.
O receio com a segurança das obras causou alarme na comunidade escolar e hoje, segundo vários encarregados de educação, foram poucos os alunos que foram à escola.
A nova Escola Secundária de Cascais, com capacidade para 1.320 alunos, representou um investimento global superior a 32 milhões de euros, tendo sido inaugurada em 21 de setembro.
A associação SOS Amianto reiterou hoje que é preciso suspender de imediato as obras de amianto na Escola Secundária de Cascais, porque não há garantias de segurança. A Proteção Civil de Cascais assegurou que a retirada de amianto não representa perigo, mas a associação afirma que as condições de segurança não estão garantidas.
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