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Gaza, Ucrânia, NAZA: tudo o que não queremos ver

Diário de Notícias ·

Vou começar este texto com aquilo que parece uma grande volta, falando da entrevista que a jornalista luso-ucraniana Iryna Shev deu recentemente à RTP.

Iryna, que está a viver em Kyiv, de onde tem reportado para a SIC, contou que as pessoas cá lhe perguntam muitas vezes “por que não vai ao outro lado” — ou seja, por que motivo não faz reportagem na zona ocupada pelos russos.

Admitindo que começou por ficar chocada mas percebeu que quem pergunta o faz por não saber como as coisas funcionam, conta uma história — a da jornalista ucraniana Viktoriia Roshchyna.

Viktoriia, diz Iryna, “achava que tinha como missão ir ao outro lado, documentar o que estava a acontecer.” Conseguiu fazê-lo duas vezes — ou seja, conseguiu duas vezes dar a volta pela Polónia, Bielorrússia e Rússia, para entrar na parte ocupada da Ucrânia (é o único caminho possível) — e regressar a casa.

Ganhou em 2022 um prémio internacional de jornalismo pela sua coragem.

Apesar de ter sido já detida, ameaçada e alvo de fogo do exército russo, Viktoriia quis voltar uma terceira vez, em julho de 2023.

Em agosto, a família deixou de ter notícias dela.

Em abril de 2024, receberam uma carta do governo russo a informar de que estava presa.

Ouçamos a Iryna: “Só pôde fazer um telefonema aos pais, quase um ano depois de estar detida.

E quando regressa à Ucrânia, regressa num saco preto.

A pesar 30 quilos, sem olhos e sem cérebro.

Portanto, ser jornalista neste tipo de sítios é muito diferente de ser jornalista fora de um sítio em guerra.

E ao ir para territórios onde o jornalista é visto como inimigo, e em ditaduras o jornalista é visto como inimigo, e a Rússia é uma ditadura, é este o resultado que se tem.

Agora, de cada vez que me perguntam ‘por que não vais ao outro lado?’, conto a história desta rapariga de 27 anos que tinha como missão ir ao outro lado, mostrar o outro lado, e que regressou num saco preto.” Falemos agora de Gaza e da entrevista do fotojornalista palestiniano Motaz Azaiza — que por acaso tem a mesma idade que Viktoriia tinha quando foi morta — publicada num podcast este sábado.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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