Conselho de Segurança condena ataque contra missão da ONU no Sudão do Sul
O ataque matou dois "soldados da paz" e feriu outros sete, incluindo três soldados etíopes, dois membros do Serviço Nacional de Polícia do Sudão do Sul e dois funcionários civis da Unmiss.
Os membros do Conselho de Segurança endereçaram condolências e solidariedade às famílias das vítimas e manifestaram total apoio aos países que contribuem com tropas para a missão.
Salientaram que os ataques contra as forças de manutenção da paz da ONU podem constituir crimes de guerra segundo o direito internacional e exigiram uma investigação completa, transparente e imediata.
Insistiram ainda para que os responsáveis sejam identificados e levados à Justiça sem demora e alertaram que a impunidade para tais ataques é inaceitável.
Em comunicado, o órgão da ONU manifestou profunda preocupação com a persistente violência intercomunitária e armada no estado de Jonglei e "o seu impacto devastador sobre os civis, os trabalhadores humanitários e as forças de manutenção da paz".
Os 15 Estados-membros exigiram que os líderes políticos e comunitários do Sudão do Sul se empenhem e tomem medidas imediatas e decisivas para pôr fim à violência e garantir a proteção de todos aqueles que trabalham para promover a paz e a segurança no Sudão do Sul.
Salientaram igualmente que o Governo do Sudão do Sul deve trabalhar com a Unmiss para garantir a segurança das suas forças de paz e implementar o seu mandato de proteger os civis e apoiar o processo de paz no Sudão do Sul.
Há vários meses que os combates recomeçaram no Sudão do Sul entre as forças governamentais leais ao Presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e as milícias da oposição leais ao seu rival Riek Machar, vice-presidente destituído e colocado em prisão domiciliária.
Segundo os últimos dados disponíveis das Nações Unidas, mais de 160 membros da Unmiss perderam a vida desde a sua criação, a 08 de julho de 2011, na véspera da independência do Sudão do Sul, quando este se separou do Sudão após décadas de conflitos entre os rebeldes do Sul e o Governo de Cartum, no Norte.
O país mais jovem do mundo mergulhou rapidamente, em 2013, numa guerra civil, num contexto de luta pelo poder entre os partidários de Kiir e Machar, antigos inimigos na luta pela independência.
Em 2018, um acordo de partilha de poder entre os dois rivais pôs fim à guerra que causou 400 mil mortes.
No entanto, os confrontos recomeçaram em todo o país entre as forças de ambos os campos após a detenção, em 2025, de Machar, que se encontra desde então em prisão domiciliária em Juba.
O Sudão do Sul ocupa o último lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), sendo também considerado o país mais corrupto do mundo no 'ranking' elaborado pela Organização Não-Governamental (ONG) Transparency International.
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