Montenegro acusa EUA de incoerência com acordo com a Rússia sobre gasóleo
O primeiro-ministro acusou esta quinta-feira, 15 de outubro, os Estados Unidos de incoerência ao fazerem um acordo sobre o gasóleo com a Rússia e afirmou que não vai ter “nenhuma consequência positiva” a nível de preços ou da guerra na Ucrânia.
“Aquilo que foi anunciado pelos Estados Unidos, do nosso ponto de vista, não corresponde a um exercício consequente e coerente da resolução desta matéria”, criticou Luís Montenegro em declarações aos jornalistas à chegada à cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Bruxelas.
Para o chefe do executivo, o acordo entre os Estados Unidos e a Rússia sobre gasóleo “não corresponde a um exercício consequente e coerente” para responder ao aumento dos preços da energia.
“Em primeiro lugar, não é consequente porque é consabido que o acordo proposto, estabelecido com a Federação Russa, não vai resolver o problema do preço dos combustíveis e mesmo a disponibilidade que esse acordo permite em termos de gasóleo não resolve o assunto por mais de escassos dias”, afirmou.
Por outro lado, Montenegro considerou que o acordo não é coerente “porque dá um sinal errado relativamente ao apoio da agressão da Rússia face à Ucrânia”.
“Esta novidade não traz nenhuma consequência positiva e é um sinal incoerente face àquilo que nós devemos fazer para pressionar a Rússia a poder contribuir para a obtenção de uma paz justa e duradoura para a Ucrânia”, sustentou.
Interrogado se concorda com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, quando fala numa traição de Donald Trump, o primeiro-ministro recusou “escalar a linguagem”.
“Vou apenas dizer que tenho feito um apelo: (…) nós precisamos de uma intervenção que seja, do ponto de vista diplomático, eficaz para suster este aumento do preço dos combustíveis , que é absurdo, é insensato, atinge todos”, reiterou.
Na mesma conferência, Montenegro considerou que as compras conjuntas de energia na UE “não são solução” para a crise energética relacionada com as tensões no Médio Oriente, tendo criticado também o sistema europeu de formação dos preços.
“Nós vamos aguardar a discussão, mas deixe-me dizer-lhe que a compra conjunta não é a solução para o problema, vou explicar até isso muito simplesmente com a nossa própria situação ”, disse Luís Montenegro, falando à chegada à reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas.
O chefe de Governo explicou que Portugal não compra “produtos provindos daquela geografia do Médio Oriente” , tendo antes como fornecedores “sobretudo o Brasil, a Argélia, também a Nigéria e os Estados Unidos”.
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