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Economia

Prestar contas

Jornal Económico ·
Prestar contas

O foco continua assestado em gastar-se o dinheiro que chega. Depois, no que foi gasto, como e com que resultados, essa discussão não se faz. Nunca.

A ccountability é uma palavra particularmente feliz no léxico anglo-saxónico. Quer dizer prestação de contas, responsabilização e avaliação de consequências. Tudo numa única palavra. Devia ser um termo fundamental, de utilização recorrente, geral, mesmo em inglês, especialmente quando falamos da gestão da coisa pública. E concretizada em toda a sua extensão de significados. Em Portugal, ignorar a accountability é, muitas vezes, uma questão cultural. Quando agradeci ao Gonçalo Regalado, CEO do Banco Português de Fomento, pela disponibilidade em ter participado na nossa conferência de aniversário, elencando os desafios que se colocam à economia, às empresas, e o papel que a instituição que lidera quer desempenhar, respondeu-me, apenas: “Prestação de contas. Tem de ser”. É uma obrigação, natural. Faz parte da missão. É raro.

Pensa-se que o Estado é uma coisa à parte, existe por si, não presta contas. Os políticos, sim têm de dizer o que fazem e porquê, o Estado não necessita de se dar ao trabalho. Falso. Todos têm de prestar contas. Mais um serviço que é público. As administrações, mesmo no privado também têm essa obrigação. Todos. É pior ainda quando não se avalia. Vemos isso quando falamos de fundos europeus. O foco continua assestado em gastar-se o dinheiro que chega. Depois, no que foi gasto, como e com que resultados, essa discussão não se faz. Nunca. Terminado um, entramos diretamente num novo programa e repete-se a necessidade de executar. É um círculo vicioso, que pode só terminar quando se esgotarem os fundos europeus. Mas, nessa altura, já não terá importância avaliar para que se aprenda com erros.

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