Novo ciclo de negociações na Venezuela entre governo e oposição
A oposição venezuelana e o governo interino de Delcy Rodríguez deram início, na quarta-feira, a um terceiro ciclo de negociações em Caracas sobre a transição política na Venezuela, anunciou um responsável do Departamento de Estado norte-americano.
"Este novo ciclo de negociações deverá prolongar-se até ao final da próxima semana e incidir principalmente sobre o quadro político (...) as eleições, a participação dos diferentes partidos políticos e outras questões deste tipo", afirmou esse responsável, citado pela agência France-Presse (AFP) e que pediu para não ser identificado.
A declaração surge num momento em que o Governo norte-americano levantou, na quarta-feira, as sanções contra o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, num novo sinal de distensão das relações entre Washington e Caracas, iniciada após a destituição do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
O nome de Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, foi retirado da lista de pessoas sancionadas pelo Departamento do Tesouro, de acordo com um documento a que a AFP teve acesso.
Os Estados Unidos têm vindo a relaxar gradualmente o cerco em torno do país sul-americano desde a captura de Nicolás Maduro, no início do ano, e a assunção do poder pela presidente interina, Delcy Rodríguez.
A Venezuela já realizou dois ciclos de negociações sob os auspícios dos Estados Unidos.
"Foram alcançados progressos concretos, nomeadamente no que diz respeito às reformas destinadas a garantir a independência do Supremo Tribunal, ao acesso às redes sociais e à reforma das leis repressivas", declarou o responsável norte-americano.
Estas discussões "permitem estabelecer o quadro estrutural e as instituições necessárias para a realização de eleições e para uma transição democrática», acrescentou, sem indicar um calendário.
As negociações, patrocinadas por Washington, são lideradas, por um lado, por Jorge Rodríguez, e, por outro, por Dinorah Figuera, representante do bloco da oposição que conquistou a maioria legislativa em 2015.
A líder da oposição, Maria Corina Machado, Prémio Nobel da Paz, não foi convidada para as negociações, mas afirmou que não iria obstruir o processo, dizendo que aguarda resultados concretos.
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