Teresa Faleiro saiu à rua em Lisboa aos 81 anos: "Estou a ser despejada"
M aria Teresa Faleiro segura com as duas mãos um cartaz de cartão para denunciar: "Tenho 81 anos e estou a ser despejada" . Juntou-se à manifestação da CGTP em Lisboa contra o custo de vida para deixar um alerta pessoal e coletivo.
De camisa preta, calças brancas, óculos escuros e um chapéu azul e verde para se proteger do sol, a inquilina elege a habitação como o maior problema de política pública em Portugal e expõe o seu caso pessoal como exemplo do que afirma.
"Houve um julgamento e a juíza deu 30 dias para abandonar a casa. Vou tentar recorrer, mas não tenho esperança nenhuma" , lamenta, em declarações à Lusa durante o desfile da central sindical.
A reformada mora em Lisboa há seis décadas. Os últimos 22 anos foram passados na mesma habitação, na Calçada de Santana, freguesia de Arroios. Aos 81 anos, afirma estar em risco de perder a casa, porque os senhorios não querem renovar o contrato.
A inquilina paga 724 euros e 11 cêntimos de renda por mês e afirma que sempre pagou as rendas. O problema, diz, decorre do fim do contrato.
Há cinco anos que tenta evitar este desfecho. Entretanto, os proprietários colocaram uma ação judicial contra si e a decisão do tribunal chegou há poucas semanas. Questionada sobre se a juíza entendeu que havia motivo para sair, a inquilina explica que sim. "Tenho de sair no dia 06 de novembro" , situa.
A inquilina não tem uma alternativa e diz-se desesperançada. "Os meus amigos apoiam-me. Mas não há casas, não há nada" , diz.
Falando da sua situação e a de outros, desconhecidos e de diferentes idades, que seguem no desfile da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Teresa Faleiro afirma: "Os velhos não têm proteção alguma. Este país não é para velhos" .
O seu caso sintetiza uma parte das duas horas e meia das manifestações nacionais da central sindical contra o aumento do custo de vida, que decorreram hoje em Lisboa, Porto e Coimbra.
Na capital, ouviram-se reivindicações por melhores salários, melhores pensões, melhores serviços públicos e uma resposta à subida do custo de vida e pelo direito à habitação, de forma cruzada com a recente onda de protestos no Porto.
O desfile partiu do Cais de Sodré em direção à Praça do Rossio, para onde estava marcada uma acampada ao final da tarde sob o mote "Não dá mais? Então monta a tua tenda!".
Nessa direção seguia Joana Bogalho, acompanhada do marido e da filha, de seis anos, às cavalitas do pai.
Supervisora num 'contact center', Bogalho tem 40 anos, metade da idade de Teresa Faleiro, casa própria e o que diz ser um vencimento superior à média, mas veio à manifestação em família porque sente que a vida está a piorar.
"Apesar de ganharmos um salário acima da média, o custo de vida aumentou tanto que temos menos poder de compra do que antes com salários melhores", explica.
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