UNITA considera mandato de Lourenço "década perdida"
O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, resumiu esta quarta-feira a governação de João Lourenço como uma “década perdida” para Angola com “poucos resultados” na vida dos angolanos.
Adalberto Costa Júnior dirigiu-se esta quarta-feira ao país, a partir de Luanda, começando por dizer que não pretende antecipar o que o Presidente da República, João Lourenço, dirá, quinta-feira, no discurso à Nação, na abertura do ano legislativo, na Assembleia Nacional.
Antecipou, contudo, que “nenhum gráfico do Governo” que o chefe de Estado e presidente do partido no poder (Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA) venha apresentar, mostrará os testemunhos que a UNITA tem recolhido pelo país.
O líder da oposição começou o seu discurso com “cinco histórias que não são cinco casos isolados, são cinco problemas estruturais da mesma governação”.
Adalberto Costa Júnior falou do jovem formado desempregado que vende na rua para sobreviver, de uma mãe que faz contas da venda no mercado, conseguindo num mês 42 mil kwanzas (41 euros) e a quem a 18 do mês o dinheiro acabou.
Falou do agricultor que teve uma boa colheita de 12 toneladas de milho, e a quem quatro toneladas apodreceram porque a estrada não permite passar um camião no tempo da chuva.
Citou a mãe grávida que caminha 180 quilómetros para chegar ao hospital e que teve o filho dentro de uma camioneta de carga e do empresário obrigado a despedir funcionários com 34 milhões de kwanzas (334 mil euros) em faturas que o Estado não paga.
O presidente da UNITA referiu que, em 2017, o atual chefe de Estado tomou posse a prometer “combater a corrupção, criar empregos e reduzir a pobreza” e afirmou que a pergunta que se impõe é se, passados quase dez anos, os angolanos vivem melhor.
A UNITA reconhece e enumera “decisões corretas e reformas necessárias” que foram feitas, mas entende que os dados oficiais demonstram que este “modelo de governação não conseguiu mudar a vida” dos mais de 36 milhões de angolanos.
O PIB (Produto Interno Bruto) angolano cresceu, mas não se reflete no rendimento das famílias, que desceu de 26% para 16%, segundo os dados da UNITA.
“Merece investigação rigorosa, o crescimento reflete-se mais no lucro dos poucos do que nos salários dos trabalhadores”, afirmou Adalberto Costa Júnior.
A taxa de inflação em Angola é agora a mais baixa desde 2015, todavia, para a oposição, significa apenas que “os preços continuam a subir, mas a um ritmo menor” e a pressão mantém-se para quem gasta quase todo o rendimento em alimentação e medicação.
O kwanza, continuou, “perdeu mais de 80% do seu valor” face ao dólar e, embora estável, “para um trabalhador, a conclusão é simples: o salário perdeu poder de compra”.
Com um desemprego na casa dos 30% e “mais de oito em cada dez trabalhadores na economia informal”, a taxa de pobreza ronda os 40% em Angola, segundo a UNITA, que propõe a criação de um observatório que avalie a situação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.