Iraque rejeita tropas internacionais e recusa entrar na guerra com Irão
"O primeiro-ministro rejeitou uma proposta para manter algumas forças da coligação internacional após 30 de setembro. O Governo está a monitorizar de perto os desenvolvimentos regionais e o Iraque não fará parte do conflito", disse o porta-voz do Governo iraquiano, Haider al-Aboudi, em conferência de imprensa relatada pela agência de notícias estatal INA.
Os Estados Unidos, que lideram a coligação internacional, já iniciaram a retirada coordenada das suas bases militares no país e sublinharam que o processo deverá estar concluído até 30 de setembro.
Nos últimos dias, tem-se assistido a uma "aceleração tangível" deste processo de retirada, segundo o exército iraquiano, que terá de assumir o reforço da segurança do país.
As autoridades iraquianas estabeleceram um prazo até ao fim do próximo mês para concluir o processo de desarmamento das milícias existentes no país e consolidar o controlo exclusivo do Estado sobre as armas.
"O Governo está a proceder à conclusão dos procedimentos e compromissos relacionados com a contenção de armas, a regulamentação da sua posse e utilização e a unificação da tomada de decisões", sublinhou o executivo de Bagdad, acrescentando que o Estado "está a exercer a sua autoridade legal".
O porta-voz do Governo indicou que o diálogo com as fações armadas "está a progredir de forma ordenada" e reforçou que o processo "será finalizado antes de 30 de setembro.
"Isto representa uma fase de transição baseada na cooperação e em interesses comuns", observou.
Além de parceiro comercial do Irão, em plena "guerra económica" anunciada na semana passada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica, o Iraque tem servido de base para milícias xiitas, que integram o chamado "eixo de resistência", liderado por Teerão.
Desde o início da ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro, vários ataques aéreos foram atribuídos a estes grupos armados iraquianos contra países vizinhos.
A Resistência Islâmica do Iraque, a aliança de milícias xiitas, é um grupo paramilitar integrado no Exército iraquiano, composto por grupos armadas de diferentes ideologias, mas as mais poderosas estão ligadas ao Irão.
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