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Economia

MPLA: mobilizar e dialogar

Jornal Económico ·
MPLA: mobilizar e dialogar

Nenhum partido consegue vencer as eleições ou mesmo estabelecer a sua legitimidade eleitoral de forma forte e robusta com base, exclusivamente, na sua mobilização ou apenas considerando a respectiva força política através do apoio dos seus militantes.

O MPLA necessita, igualmente, de construir um diálogo com certos segmentos da sociedade civil e procurar, acima de tudo, atrair algumas figuras para o seu campo político, o que obriga à sua presença na esfera pública onde se produz opinião sobre o fenómeno político angolano.

É, deste modo, vital que o MPLA passe a participar nos debates radiofónicos que apresentam uma perspectiva crítica sobre o estado da governação, visando mostrar a sua visão, sem medo da crítica mais severa e dura, porque exercer o poder implica estar exposto ao escrutínio público.

Com a presença do MPLA no debate público, o partido conseguiria demonstrar que está aberto à crítica e às contribuições produzidas na sociedade civil.

Poderia, deste modo, desafiar a sociedade civil a não se especializar na crítica pela crítica ao estado da governação, mas a constituir-se, igualmente, como um participante activo na apresentação e na construção de soluções estruturadas para o desenvolvimento socioeconómico do país.

Mas essa exigência por parte do MPLA só é possível, efectivamente, caso haja uma presença do partido na esfera pública.

A presença do MPLA no debate público possibilitaria, ainda, compreender o grau de preparação política e técnica dos seus quadros quando estão fora de ambientes controlados, ou seja, em espaços de debate mais exigentes e, por vezes, hostis ao partido no poder.

É, assim, vital o MPLA alterar a sua postura de evitar certos programas de rádio e de recusar, ainda, colocar os seus quadros nos referidos debates, particularmente em vésperas de eleições, considerando relevante o papel da opinião pública, essencialmente radiofónica, na percepção sobre o processo eleitoral angolano.

É, portanto, tempo de o MPLA deixar de permitir que a sua representação no espaço mediático seja realizada, muitas vezes, por jovens que se assumem como meros militantes, à procura de uma certa ascensão social através de uma defesa apaixonada e descabida da governação, mas que não estão, efectivamente, preparados para lidar com as críticas e aceitar que existem problemas sociais, económicos e políticos profundos no país, à vista de todos os angolanos.

Ou seja, a mobilização dos seus militantes será, ainda assim, insuficiente para a construção de uma legitimidade política assente na capacidade de governar e traçar um rumo para o país.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.

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