Caso do atrelado. Destruição de químicos seria afinal paga pelo Ministério da Justiça
A destruição de químicos usados na produção de drogas, apreendidos em processos judiciais, é habitualmente paga pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) e não pela Polícia Judiciária (PJ).
A investigação da TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol aos vários casos que têm atingido Luís Neves nos últimos meses teve acesso a vários documentos de casos similares onde fica claro que a despesa estava a cargo desse instituto do Ministério da Justiça.
Um e-mail interno da PJ de Braga, por exemplo, referente a outro caso de tráfico de droga, é claro a dizer que "foi determinada a destruição dos respetivos produtos químicos/precursores (...) com os custos totais de transporte e de gestão dos mesmos produtos a cargo do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça" (IGFEJ).
Outros dois orçamentos, feitos por uma empresa de gestão de resíduos, a que também tivemos acesso, referentes a casos semelhantes, também são pedidos em nome do IGFEJ, apesar dos bens - tal como no caso que envolve Luís Neves - estarem à guarda da PJ.
O gabinete da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, não respondeu até agora a qualquer pergunta feita há duas semanas sobre este tema pela TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol.
Outro e-mail interno da PJ também revela que os 150 mil euros apresentados pelo atual ministro da Administração Interna como argumento para não destruir os químicos seriam, afinal, para destruir todos os químicos encontrados naquela megaoperação de combate ao tráfico de droga e não apenas os 62 bidões de 200 litros que foram colocados à guarda do empreiteiro.
Em paralelo, a investigação da TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol também pediu orçamentos a empresas de gestão de resíduos perigosos deste tipo. As estimativas são muito inferiores ao valor referido por Luís Neves.
A empresa Ecodeal - que também trabalha com a PJ - fez uma estimativa de "3.150 euros por tonelada, que corresponde ao preço médio dos resíduos que não conseguimos tratar na nossa instalação e enviamos para incineração em unidades localizadas na França ou na Bélgica".
Num cálculo conservador, se os 62 bidões cheios pesarem 12 toneladas, seriam 38 mil euros para destruir os químicos entregues ao empreiteiro, bem longe dos 150 mil indicados pelo ministro.
Outra empresa do setor, a Carmona, avança um valor ainda mais baixo: apenas 250 euros por tonelada, algo que multiplicado por 12 (toneladas) significaria uma despesa de 3 mil euros, mas sem contar com custos logísticos de recolha e transporte.
Contactado, o gabinete de Luís Neves responde que "o ministro da Administração Interna reitera as afirmações expressas na conferência de imprensa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.