Lindsay Clancy: "Julgamento mais triste dos EUA" chegou ao fim. E agora?
A o longo das últimas cinco semanas, os Estados Unidos - e o mundo - acompanharam o julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar os seus três filhos, Cora, de 5 anos, Dawson, de 3, e Callan, de oito meses. Aquele que é nomeado como "o julgamento de homicídio mais triste dos EUA" trouxe para cima da mesa a discussão sobre saúde mental e depressão pós-parto. Agora, o júri vai deliberar sobre a sentença.
Mais de 80 pessoas testemunharam ao longo destas últimas semanas para decidir sobre o futuro de Clancy, de 36 anos. À sua frente, esta mulher tem a possibilidade de ser condenada por homicídio culposo (possibilidade introduzida mais recentemente), homicídio em primeiro grau ou homicídio em segundo grau.
"Se considerarem a ré culpada de homicídio, deverão decidir o grau do homicídio”, disse o juiz responsável pelo caso, William Sullivan.
Note-se que o homicídio em primeiro grau é punível com prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional e o homicídio em segundo grau é punível com prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Já o homicídio culposo é punível com até 20 anos de prisão.
Caso o júri considere que Clancy não é criminalmente responsável pelas mortes de seus filhos, esta mulher poderá poderá passar o resto da vida num hospital psiquiátrico e ser, eventualmente, libertada, explicou o juiz.
Ainda quanto ao júri - composto por três homens e nove mulheres -, a CNN Internacional adianta que este grupo incluía "uma mulher que enxugava as lágrimas durante as alegações finais, um homem que bocejou durante a argumentação final da acusação e uma mulher que assentiu com a cabeça quando um psiquiatra testemunhou que a decisão de Clancy de não tomar um determinado medicamento era razoável 'na cabeça dela'".
A antiga enfermeira do Massachusetts General Hospital não nega ter asfixiado os seus três filhos com bandas elásticas de fazer exercício físico. O crime terá demorado menos de uma hora a executar, na cave de casa. A defesa aponta que Lindsay Clancy estava sob efeito de medicamentos, sofria de psicose pós-parto e dizia ter ouvido uma voz que lhe ordenava matar os filhos.
Depois de matar as crianças, Clancy cortou os pulsos e pescoço e saltou do segundo andar da residência, em Duxbury, numa tentativa de colocar termo à própria vida.
A acusação, por seu lado, alegada que esta mulher, na altura dos crimes com 32 anos, matou deliberadamente os filhos. Os crimes foram cometidos quando o pai das crianças, Patrick Clancy, saiu de casa a seu pedido para ir buscar jantar e medicação para a filha mais velha.
Antes de o júri começar a deliberar, a procuradora Jennifer Sprague não contestou que Clancy sofria de doença mental ou que havia tentado o suicídio. Mas apontou: "Essa não é a questão neste julgamento. A questão é se, no momento em que matou Cora, Dawson e Callan, ela sabia distinguir o certo do errado e se era capaz de adequar sua conduta às exigências da lei."
"Ela estava deprimida, exausta, acabada. Não queria tentar mais. Sentia-se destruída", referiu ainda a procuradora ao júri. "Mas aquelas crianças eram o seu fator de proteção. Aquelas crianças a impediam de acabar com o seu sofrimento.
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