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Governar para além do mandato

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Há uns dias, Pedro Passos Coelho voltou a chamar a atenção para o tempo de que o Governo dispõe para fazer reformas.

A discussão depressa se presta ao exercício habitual: perceber se foi um aviso, uma crítica ou um sinal sobre o futuro da direita.

Mas há uma pergunta mais importante por detrás da intervenção.

Como se governa um país cujos problemas exigem uma década de trabalho, quando a política vive de semana em semana? Portugal conhece bem esta contradição.

Quer resultados rápidos, desconfia de mudanças que lhe alterem a vida e penaliza quem demora a responder.

Quem governa enfrenta estas exigências, muitas vezes incompatíveis, e precisa de escolher.

É nessa escolha que se percebe se existe um projeto para o país e se quem o dirige tem condições para o concretizar.

A discussão sobre reformas costuma concentrar-se na vontade do primeiro-ministro, como se um governo fosse a extensão de uma personalidade.

Não é.

Governa-se com ministros, assessores, dirigentes da administração e partidos que recrutam e sustentam esse pessoal político.

A qualidade desta elite conta tanto como a intenção de quem a lidera.

Os partidos sabem identificar quem mobiliza uma concelhia, negoceia uma lista ou ganha um congresso.

São competências legítimas e necessárias numa democracia de partidos.

Mas dirigir um serviço público exige outras, conhecer o que se pretende mudar, distinguir uma resistência corporativa de uma objeção fundamentada, escolher equipas e assumir a responsabilidade pelos resultados.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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