Intervenção proativa na dislipidemia: O papel do MGF na redução do risco cardiovascular
Em Portugal, as doenças cardiovasculares continuam a representar a principal causa de morbimortalidade, com impacto significativo na qualidade de vida dos doentes, nos custos em saúde e na sustentabilidade do próprio Serviço Nacional de Saúde.
Embora, segundo o relatório “10 Anos das Doenças Cérebro e Cardiovasculares” (2013–2023) da Direção-Geral da Saúde (DGS), se tenha verificado uma redução da mortalidade por doença cardiovascular em Portugal, esta redução foi sobretudo à custa da diminuição da mortalidade por Acidente Vascular Cerebral (cujo a hipertensão é o principal fator de risco) e não tanto da redução da mortalidade por Enfarte Agudo do Miocárdio (onde a dislipidemia, como sabemos, é o fator de risco principal).
Neste sentido, é fulcral uma intervenção proativa na dislipidemia, de forma a reduzir, ainda mais, o risco de eventos cardiovasculares.
O Médico de Família, pela sua proximidade, continuidade assistencial e conhecimento longitudinal do doente, encontra-se numa posição privilegiada para identificar precocemente estes e outros fatores de risco, estratificar adequadamente o risco cardiovascular global e implementar estratégias terapêuticas eficazes e sustentadas no tempo.
Enquadramento e relevância clínica O risco cardiovascular resulta da interação de múltiplos fatores, incluindo hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, sedentarismo, idade, antecedentes familiares, entre outros.
Assim, a abordagem de um determinado fator não deve ocorrer de forma isolada, mas integrada numa avaliação global do risco cardiovascular.
De todos os fatores de risco, a Pressão Arterial Sistólica e o Colesterol não-HDL, são os dois mais importantes, quer pela sua prevalência, quer pela sua correlação com a ocorrência de eventos (fatais ou não fatais).
No caso particular da dislipidemia, como já vimos, desempenha um papel fundamental no risco cardiovascular global, particularmente através da elevação do colesterol LDL (low-density lipoprotein cholesterol) – considerado um fator causal da aterosclerose.
A evidência científica demonstra uma relação linear entre os níveis de LDL-C e o risco de eventos cardiovasculares, sendo que reduções sustentadas do LDL-C se traduzem numa diminuição proporcional do risco de eventos cardiovasculares.
Apesar da existência de Guidelines orientadoras e terapêuticas eficazes, o subdiagnóstico e a inércia terapêutica continuam a ser desafios relevantes na prática clínica.
Muitos doentes permanecem sem rastreio adequado, sem estratificação formal de risco ou sem otimização terapêutica, mesmo perante níveis lipídicos persistentemente elevados.
Paralelamente, uma proporção significativa de doentes tratados não atinge os objetivos terapêuticos recomendados pelas Guidelines.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornalmedico.pt — o conteúdo pertence a Jornal Médico.