Ainda há 65 mil alunos sem todos os professores: "Incompreensível"
Um mês após o arranque do ano letivo, o problema da falta de professores persiste, denuncia a Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
Segundo a federação, na semana entre 8 e 14 de outubro, o número de horários e de horas em contratação de escola é de 902 e 16.574, respetivamente, estimando-se existirem 64.900 alunos sem todos os professores.
No ano letivo passado, no mesmo período, os valores eram de 739 horários e 13.513 horas.
Numa nota enviada esta quarta-feira às redações, a Fenprof detalha que, dos 902 horários em contratação de escola, 253 são anuais e completos e 111 são no 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB).
"Neste ciclo, a situação é mais aguda nos AE de Queluz / Belas, Sintra, com 10 horários a concurso, no AE Aqua Alba, Sintra, com 9, no AE Almeida Garrett, Amadora, e no AE Ruy Belo, Sintra, ambos com 7 e no AE de Silves, com 6", lê-se.
Segundo os dados divulgados, os distritos mais afetados são: Lisboa, com 332 horários; Setúbal, com 125; Faro, com 97; Porto, com 56; Leiria, com 53; Santarém, com 45.
"Quanto aos grupos de recrutamento mais afetados temos o GR 110 (1.º CEB), com 239 horários, o GR 910 (Educação Especial), com 137, o GR 300 (Português do 3.º CEB e Secundário), com 85, o GR 500 (Matemática 3.º CEB e Secundário), com 40, e o GR 320 (Inglês 3.º CEB e Secundário), com 35", lê-se ainda.
A Fenprof deixa críticas à tutela, sublinhando que, "perante o elevado número de alunos sem todos os professores, um número de professores disponíveis em reserva de recrutamento muito baixo e o crescimento das aposentações", a inação do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) "é incompreensível".
A federação considera "inaceitável que, perante a persistência e a dimensão crescente deste problema, o MECI continue sem apresentar respostas à altura das necessidades da Escola Pública".
"A valorização da carreira docente não pode continuar a ser adiada: é uma condição essencial para tornar a profissão mais atrativa, recuperar profissionais e garantir que todos os alunos têm os professores de que precisam", insiste a Fenprof, que adianta que vai reunir os seus órgãos de direção nos próximos três dias para analisar a situação.
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