O segredo suíço para vender menos relógios por mais dinheiro
Há uma regra curiosa na relojoaria suíça: quanto menos relógios se vendem, mais importante parece ser o preço de cada um.
E, pelos números, a estratégia está a funcionar.
Num mundo dominado por smartphones que dão as horas com uma precisão quase ofensiva, marcas como Rolex, Cartier, Omega e Patek Philippe continuam a convencer clientes a pagar milhares — e, em alguns casos, milhões — por um mecanismo que faz essencialmente a mesma coisa que um telemóvel.
A explicação está numa palavra: exclusividade.
A Suíça exportou em 2025 relógios no valor de 24,4 mil milhões de francos suíços.
Em unidades, foram 14,6 milhões, menos 4,8% do que no ano anterior — cerca de 740 mil relógios a menos.
Em valor, a queda foi de 1,7%, segundo a Federação da Indústria Relojoeira Suíça (FH) .
Importa sublinhar que estes valores correspondem a preços de exportação e não aos preços finais pagos pelos consumidores.
À primeira vista, não parece propriamente uma história de sucesso.
Menos relógios, menos dinheiro.
Mas há uma segunda parte da história — e é aí que começa a ficar interessante.
O mercado está a concentrar-se no topo.
Segundo estimativas da Morgan Stanley/LuxeConsult , os relógios com preços superiores a 50 mil francos suíços representaram 37% do valor das exportações suíças em 2025, embora tenham correspondido a apenas 1,4% das unidades.
Este segmento foi responsável por 89% do crescimento do valor do mercado.
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