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"Vivia viciado em medo e raiva". O grupo que ajuda antigos apoiantes de Donald Trump a sair do MAGA

CNN Portugal ·
"Vivia viciado em medo e raiva". O grupo que ajuda antigos apoiantes de Donald Trump a sair do MAGA

A frase aparece em painéis espalhados por 27 estados norte-americanos. Não manda votar contra Donald Trump, não pede que se abandone o MAGA. Está ali para quem já começou a perguntar-se se quer continuar. É esse o terreno da Leaving MAGA, organização sem fins lucrativos criada em 2024 para apoiar antigos seguidores do movimento Make America Great Again, a corrente erguida em torno de Trump que acabou por remodelar o Partido Republicano. Milhares de pessoas já passaram pelos grupos de conversa, encontros presenciais e sessões de apoio. Porque sair, para muitos, não é apenas deixar de acreditar num político. É perder amigos, referências, hábitos, às vezes quase toda a vida social construída à volta do movimento.

Rich Logis conhece bem esse preço. Votou em Trump em 2016 e 2020, trabalhou na primeira campanha presidencial, recrutou eleitores e chegou à Fox News como comentador pró-MAGA. Durante anos, aquele mundo tornou-se a sua “segunda família”. “Às vezes, essa segunda família vinha antes da minha própria família”, reconhece ao The Guardian . Havia política, claro. Mas havia sobretudo pertença. Pessoas que pensavam como ele, que lhe davam razão, que apontavam os mesmos culpados. Rich recorda que vivia “viciado no medo e na raiva” e agarrado à ideia de que existia sempre um “eles”: alguém que lhe queria tirar direitos, doutrinar os filhos, levar as armas, substituir americanos brancos por imigrantes.

A 24 de maio de 2022, um atirador matou 19 crianças e duas professoras numa escola primária do Texas. Rich, que tem armas, ouviu a resposta que já esperava de muitos no seu campo político: eram precisas mais armas. Foi o fim. Três meses depois publicou um pedido público de desculpas. “Tive de reconhecer que tinha sido culpado e cúmplice por ajudar o presidente [Trump] a dividir o nosso país e a amplificar teorias da conspiração”, recorda ao jornal britânico. Achou que ninguém ligaria. Ligaram. Houve elogios, insultos também, críticas e mensagens de gente que, como ele, começava a afastar-se. A Leaving MAGA nasceu daí.

Rich não tenta converter apoiantes de Trump. Nem quer discutir com eles até à exaustão à espera do momento em que alguém finalmente cede. “Não tento inundar as pessoas com factos e política”, assegura. A ideia é outra: existir quando a dúvida aparece. “Estamos a tentar contrariar a toxicidade da comunidade MAGA oferecendo uma saída e uma comunidade”, explica. Sair, para ele, significa também recuperar “a individualidade, a empatia e a capacidade de decidir”.

Stephania Messina chegou ao mesmo lugar por uma estrada completamente diferente.

Mãe de cinco filhos, viveu nos arredores de Detroit integrada numa comunidade cristã conservadora ligada ao movimento Quiverfull, que incentiva famílias numerosas e uma organização da casa em que o marido ocupa a posição de autoridade. Stephania deixou o emprego, passou a ensinar os filhos em casa e entregou ao marido as decisões políticas da família. “Não era meu papel votar ou saber em quem votar. Devia simplesmente submeter-me ao meu marido”, recorda ao The Guardian . Cinco filhos — cinco rapazes — davam-lhe estatuto naquela igreja. Era tratada, conta, “como a Virgem Maria”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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