Cruz Vermelha com cuidados paliativos ao domicílio gratuitos no Porto
Cinco profissionais da delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa estão desde abril, gratuitamente, a prestar cuidados paliativos no domicílio a utentes em fim de vida no concelho do Porto, um serviço que se estende até fevereiro de 2027.
Em comunicado, a delegação nortenha da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) refere que o serviço ocorre através do Projeto Âmbar, mediante encaminhamento das Unidades Locais de Saúde (ULS) São João e Santo António.
Segundo a CVP, após o encaminhamento pelas equipas sociais das duas ULS é assegurado, "num prazo de 24 horas", definida a "solução de acompanhamento adequada às necessidades do doente e da família, procurando reduzir os tempos de espera e os obstáculos que frequentemente condicionam o acesso a cuidados paliativos no domicílio".
A equipa multidisciplinar é composta por um assistente social, duas técnicas auxiliares de saúde, um fisioterapeuta e um psicólogo, partindo a intervenção de uma "avaliação individual das necessidades de cada pessoa e da sua família e traduz-se num plano de cuidados personalizado, que articula o acompanhamento clínico e funcional, o apoio social e psicológico e os cuidados prestados diariamente no domicílio", prossegue o comunicado.
Assinala a CVP que os cuidados "incluem higiene pessoal, controlo da dor, apoio emocional e terapias complementares, como música, relaxamento, aromaterapia e ambiente 'Snoezelen'".
Desde o arranque do projeto, em abril, já foram acompanhados 11 utentes, estando atualmente cinco doentes em acompanhamento num projeto apoiado pela Fundação "la Caixa" e que vai estender-se até fevereiro do próximo ano, referiu à Lusa fonte da CVP.
"A iniciativa nasce de uma lacuna bem conhecida por quem trabalha na área da saúde e no setor social.
Em Portugal, quem precisa de acompanhamento paliativo em casa esbarra muitas vezes em processos lentos e numa escassez de equipas verdadeiramente especializadas.
É essa falha que a Delegação do Porto da Cruz Vermelha Portuguesa quer colmatar", afirma Ana Araújo, assistente social e gestora operacional do Projeto Âmbar, citada pelo comunicado.
O acompanhamento não se fica pelo doente, assinala o comunicado da CVP que sublinha que "cuidar de alguém em fim de vida é, muitas vezes, um desgaste silencioso para quem está por perto, e por isso os cuidadores informais recebem também apoio psicológico e orientação prática ao longo de todo o processo, incluindo no período de luto".
Questionada se o projeto prevê o alargamento, por exemplo, ao Instituto Português de Oncologia do Porto, indicou que essa resposta, bem como o alargamento a outras instituições, "só será possível se o projeto for expandido, mediante a disponibilidade dos financiadores, a partir de fevereiro de 2027".
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