Pensões mais altas podem ser chamadas a pagar a fatura do défice em França
O Governo francês está a estudar uma redução da atualização das pensões mais elevadas em 2027, numa tentativa de encontrar novas poupanças para as contas públicas.
A hipótese passa por aumentar estas pensões abaixo da inflação ou, em alguns casos, congelá-las, deixando os pensionistas com rendimentos mais baixos fora do esforço adicional.
A proposta foi colocada em cima da mesa pelo ministro da Economia e das Finanças, Roland Lescure, mas não constitui ainda uma decisão do Executivo.
Segundo o elEconomista, a possibilidade de congelar as pensões mais altas ou de limitar a sua atualização em relação à inflação está a ser analisada pelo Governo francês antes da apresentação do Orçamento para 2027.
A discussão ganhou força depois de Lescure defender que os pensionistas com maiores rendimentos poderiam contribuir para o esforço de recuperação das finanças públicas através de uma “indexação mais moderada” das suas pensões.
O ministro sublinhou, contudo, que a prioridade deverá ser proteger os pensionistas mais modestos.
A questão surge num momento particularmente delicado para Paris.
A França fechou 2025 com um défice público equivalente a 5,1% do PIB, um dos valores mais elevados da zona euro.
A dívida pública situou-se em cerca de 115,6% do PIB.
De acordo com a Comissão Europeia, a trajetória das contas públicas francesas continua sob forte pressão, com o défice e a dívida a permanecerem em níveis elevados nos próximos anos.
Para 2027, a pressão sobre o orçamento deverá aumentar.
O Governo francês prevê que a despesa da Segurança Social suba cerca de 17 mil milhões de euros, para 838,3 mil milhões de euros, sendo as despesas com saúde e pensões algumas das principais fontes de pressão.
Ao mesmo tempo, os encargos com juros da dívida deverão aumentar.
A Reuters alerta para a deterioração das contas públicas francesas e para o peso crescente do serviço da dívida, num momento em que Paris procura convencer os mercados da sustentabilidade da sua trajetória orçamental.
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