"EUA já não é o único país com papel de superpotência mun...
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Abrimos a porta ao Gabinete de Guerra na Rádio Observador, o programa em que damos destaque às principais questões geopolíticas mundiais. Hoje contamos com a análise do professor de Direito Internacional na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Pedro Braga de Carvalho. Seja muito bem-vindo à Rádio Observador. Obrigado por ter aceitado este nosso convite. Vamos começar por falar de palavras de Vladimir Putin, que diz que a formação de uma nova ordem mundial multipolar é uma situação irreversível. A minha pergunta, Pedro Braga de Carvalho, é: que ordem é que seria essa idealizada por Vladimir Putin e por que é irreversível? Algumas dificuldades na ligação a Pedro Braga de Carvalho. Ele é professor de Direito Internacional na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Vamos contar com a análise deste professor de Direito Internacional a abordar situações na Ucrânia, também na Rússia, que envolvem também o Médio Oriente. Penso que agora já é possível esta ligação a Pedro Braga de Carvalho. Seja bem-vindo. Falávamos aqui de Vladimir Putin, que diz que há uma nova ordem mundial multipolar irreversível. Que ordem é que seria essa, Pedro Braga de Carvalho, e por que é irreversível?
Olá, muito boa tarde. Obrigado pelo vosso convite. Se é irreversível ou não, veremos. Nada na vida e nas relações internacionais a bitola é a mesma, nada da vida é absolutamente irreversível. Agora, a verdade é que nós temos assistido nos últimos tempos a uma transformação evidente da ordem internacional a que estávamos habituados, pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial. É bastante evidente para todos aqueles que vão acompanhando estes temas, e mesmo até para os mais distraídos, que os Estados Unidos já não cumprem o papel da superpotência praticamente autossuficiente. Isso resulta não só da circunstância de outras potências terem feito também o seu trabalho de casa, à cabeça a China, mas há outros. Por exemplo, a Índia também tem tido uma evolução muito relevante, sobretudo na capacidade de desenvolver uma economia tecnológica e digital de ponta. Isto por um lado, portanto, falando daqueles que poderão ser os concorrentes dos Estados Unidos da América. Por outro lado, os Estados Unidos têm cometido vários erros e têm, sobretudo, apesar de Donald Trump ter sido eleito com a promessa de que não arrastaria os Estados Unidos para guerras intermináveis, gasto muito dos seus recursos políticos, militares e económicos em guerras que se arrastam, como a do Irão. Portanto, é nesse contexto que nós podemos ver estas declarações de Vladimir Putin, que também não deixam de ser as declarações de um líder de uma potência que já foi, para utilizar a mesma palavra, mais potente do que é hoje.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.