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Benjamin Moser e os judeus que se opuseram ao sionismo

Observador ·
Benjamin Moser e os judeus que se opuseram ao sionismo

No momento da publicação original nos EUA, há poucas semanas, foi elogiado e criticado na mesma medida. A 19 de outubro, chega a edição portuguesa, pela Penguin, com tradução de Guilherme Pires. “Antissionismo” é o ensaio histórico através do qual Benjamin Moser (n.1976) propõe uma história do judaísmo contada através daqueles que questionaram, criticaram e se opuseram ao sionismo, a doutrina que advoga a criação de um estado judaico soberano.

Moser — que ganhou reconhecimento como biógrafo de Clarice Lispector e Susan Sontag (ambos os livros publicados em Portugal, o último valeu-lhe o prémio Pulizter em 2020 ) começa pela memória pessoal. Judeu americano, nascido em Houston, no Texas, neto de judeus alemães (mas nascidos naquilo que é hoje a Polónia), o autor conta como tomou contacto com o sionismo, o que tal ideologia representa na própria família e como essa memória, aliada à atualidade, o levou a escrever um livro onde não esconde uma firme crença pessoal.

Escreve o autor: “Com este livro, pretendo diminuir a sensação de solidão que essas pessoas possam sentir. Ofereço-o como contributo para o movimento de tantas pessoas nobres que estão a trabalhar para construir uma visão alternativa da vida judaica, livre de racismo, nacionalismo e militarismo. É uma tentativa de dizer, especialmente às pessoas mais novas, que não somos os primeiros e que não precisamos de começar do zero”.

Antissionismo compõe-se de 12 retratos de outros jantos judeus, todos ilustres nos seus contextos: Edwin Montagu, Jacob Israel de Haan, Ahmad Sadiq Saad, Hyman Judah Schachtel, Avi Shlaim, Hannah Arendt, Maxime Rdoinson, Felicia Langer, Helena Salem, Ronnie Kasrils e Nan Goldin. O primeiro é Aaron Samuel Tamares, que ficou na história como Rabino Sensível e que foi um dos primeiros opositores vocais ao sionismo moderno, como fundado por Theodor Herzl, no final do século XIX. É deste primeiro capítulo que publicamos um excerto em primeira mão.

Quando o sionismo moderno surgiu, foi recebido com profundo desconforto pela maioria dos rabinos — e não apenas devido a questões doutrinárias como os Três Juramentos. As autoridades tradicionais viram algo muito mais grave: uma tentativa de redefinir o judaísmo numa identidade secular e nacionalista, despojando-o do seu núcleo religioso. Desde o início, o sionismo foi agressivamente secular. Os seus antecedentes ideológicos não estavam no judaísmo, mas na escatologia cristã e no nacionalismo romântico: precisamente no tipo de chauvinismo e jingoísmo a que os judeus haviam renunciado. Adotou uma definição dos judeus como uma «raça» que, notaram os rabinos, era a mesma definição que os antissemitas usavam. Ambos concordavam que os judeus eram elementos estrangeiros nas terras a que chamavam lar.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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