Corinthians faz aposta inusitada em Seedorf para salvar balneário de estrelas da descida
Gabriel Paulista, central com uma carreira de sucesso na Europa, onde representou clubes como Arsenal, Valência e Atlético de Madrid, disse ter realizado um sonho de criança ao ser anunciado como reforço do Corinthians, o seu clube do coração, em janeiro.
A trajetória começou em alta: logo no início do ano, marcou um dos golos na final da Supertaça do Brasil, diante do Flamengo, que valeu o título ao Timão.
Nove meses depois, no entanto, a época transformou-se num pesadelo.
Eliminado do Campeonato Paulista, da Taça do Brasil e da Taça Libertadores, o clube encontra-se em maus lençóis no Brasileirão, onde ocupa o 16.º lugar, com os mesmos 32 pontos do Internacional, primeira equipa na zona de despromoção.
E a crise está longe de se limitar aos resultados dentro de campo.
"Eu abri mão de muitas coisas para viver um sonho e agora estou vivendo um pesadelo", desabafou Paulista, visivelmente emocionado, após a goleada sofrida diante do Palmeiras (1-4), no último domingo (11).
O pesado desaire frente ao maior rival foi a oitava derrota consecutiva do Corinthians no campeonato , numa partida que marcou também o primeiro compromisso após a demissão de Fernando Diniz, que deixou o comando técnico depois de nove jogos sem vencer.
Mas o desabafo do antigo internacional brasileiro foi muito além do futebol.
Gabriel denunciou atrasos salariais, criticou a falta de proteção da direção aos jogadores e revelou ter oferecido ajuda financeira a colegas de equipa antes de classificar como uma "vergonha" a situação vivida no clube.
Com uma dívida próxima dos três mil milhões de reais, cerca de 500 milhões de euros, o Corinthians atravessa um período de instabilidade que contrasta com o investimento feito num plantel recheado de nomes conhecidos do futebol europeu.
E, perante o risco de uma descida à segunda divisão, a solução encontrada pela direção foi, no mínimo, inusitada: Clarence Seedorf.
Antigo médio de Ajax, Real Madrid, Inter e Milan, vencedor de quatro Ligas dos Campeões, Seedorf regressa ao Brasil, onde representou o Botafogo entre 2012 e 2013, agora com a missão de salvar o Corinthians.
O problema é que, apesar do currículo extraordinário como futebolista, o neerlandês não treina uma equipa desde 2019 , quando deixou a seleção dos Camarões.
Desde que pendurou as botas, passou ainda pelos bancos de Milan, Shenzhen FC e Deportivo da Corunha, sem conseguir repetir como treinador o sucesso alcançado dentro das quatro linhas.
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