UGT diz que PS não deve viabilizar próximo OE se Governo insistir na reforma laboral
O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, considera que o PS não deverá voltar a viabilizar um Orçamento do Estado se o Governo insistir nas alterações à legislação laboral chumbadas pelo Parlamento no verão.
“ Esta reforma laboral não vai resolver problema nenhum à economia.
Não é isto que vai aumentar os salários, não é isto que vai melhorar a vida dos portugueses ”, afirma, em entrevista ao Público e à Renascença.
O dirigente sindical classifica a intenção do Executivo de retomar as alterações como uma “obsessão” e considera que, nesse cenário, o PS não deverá dar apoio ao Governo.
Mário Mourão defende que a prioridade deve ser aumentar os rendimentos do trabalho, nomeadamente através da subida do salário mínimo nacional para os mil euros e da revisão dos referenciais para a negociação coletiva.
“ Alguma recuperação que se fez do poder de compra dos trabalhadores está a perder-se.
Isto não se resolve atribuindo subsídios [uma vez], porque no mês seguinte os problemas continuam ”, alerta.
A UGT pretende apresentar propostas de reforço salarial na próxima reunião da concertação social, num contexto de aumento do custo de vida.
Apesar das críticas ao Executivo, o secretário-geral da UGT considera que o PS fez bem em viabilizar o atual Orçamento do Estado, por ser necessário garantir estabilidade política .
Ainda assim, deixa em aberto uma mudança de posição caso o Governo retome a reforma laboral.
Sobre a devolução de valores recebidos a mais por cerca de três mil pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA), Mário Mourão defende que é necessário esclarecer o caso.
“Precisamos de ter mais informação”, afirma, admitindo que os sindicatos da administração pública ligados à UGT possam avançar com uma providência cautelar.
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