Nepal. China invoca riscos para restringir acesso de jornalistas a cheias
"N este momento, as estradas e as comunicações na zona afetada pelo desastre estão cortadas e existem riscos consideráveis de desastres secundários", afirmou, em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun.
O porta-voz acrescentou que as operações de resgate decorrem "de forma intensa e ordenada" e garantiu que as autoridades vão continuar a divulgar informações sobre a situação e as operações de busca.
Guo respondia a uma pergunta sobre as razões pelas quais as autoridades chinesas ainda não permitiram o acesso de órgãos de comunicação social estrangeiros à zona afetada, enquanto jornalistas da imprensa estatal chinesa têm feito reportagens a partir do local.
O porta-voz não respondeu especificamente à questão sobre a diferença de acesso entre os órgãos de comunicação estrangeiros e os estatais chineses.
As declarações surgiram depois de a organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) ter denunciado que as autoridades chinesas recorreram "à censura e ao controlo" na sequência da catástrofe e exigido que jornalistas e órgãos de comunicação social independentes possam aceder à zona afetada.
A ONG afirmou ter recebido informações sobre jornalistas impedidos de entrar na área ou de entrevistar familiares das vítimas e considerou que as vozes dos afetados estão "praticamente ausentes" da cobertura divulgada na China.
O Tibete, sob controlo chinês desde a década de 1950, é uma das regiões da China onde existem maiores restrições à cobertura jornalística, sendo necessária autorização prévia para as deslocações de jornalistas estrangeiros.
Após as cheias, as autoridades suspenderam temporariamente a emissão de autorizações para as áreas fronteiriças sujeitas a controlo especial no município de Shigatse, incluindo Gyirong, e pediram às pessoas que já dispunham de autorizações válidas que evitassem deslocações à região.
As autoridades justificaram a medida com os riscos para a população e para as operações de resgate, bem como com a possibilidade de ocorrência de novos desastres.
A catástrofe ocorreu na quarta-feira passada, na sequência da queda de um glaciar ter desencadeado uma enxurrada de gelo, rochas e lama que atingiu Gyirong e destruiu a passagem fronteiriça com o Nepal.
Segundo os últimos balanços, as autoridades nepalesas recuperaram 987 corpos e mantêm 3.916 pessoas dadas como desaparecidas, enquanto o número conjunto de mortos no Nepal e na China já ultrapassou os 1.000.
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