Xi Jinping intensifica ofensiva diplomática antes de cimeira com Trump
O Presidente chinês, Xi Jinping, intensificou nas últimas semanas a atividade diplomática no estrangeiro, numa tentativa de projetar Pequim como parceiro mais previsível para países emergentes e do Médio Oriente, antes de uma prevista cimeira com Donald Trump.
Xi reuniu-se na quarta-feira, no Cairo, com o homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, naquela que é a primeira visita do líder chinês ao Egito desde 2016 e mais uma etapa da sua mais intensa sequência de deslocações internacionais desde 2019.
A ofensiva diplomática ocorre numa altura em que as tarifas impostas pela administração norte-americana, a guerra contra o Irão e sinais contraditórios de Washington aos seus tradicionais parceiros de segurança provocaram tensões nas relações dos Estados Unidos com vários países.
Numa mensagem publicada na imprensa egípcia, Xi afirmou que a China está disposta a trabalhar com o Egito e a tirar partido da "localização única" do país, que estabelece uma ligação entre o mundo árabe e o continente africano.
Perante aquilo que Pequim descreve como "profundas mudanças nunca vistas num século", expressão utilizada pelas autoridades chinesas para caracterizar uma alegada perda de influência dos Estados Unidos, Xi defendeu que China e Egito devem salvaguardar "vigorosamente a paz e a estabilidade mundiais" e promover "a equidade e a justiça internacionais através da prática de um verdadeiro multilateralismo".
Pequim tem aprofundado a presença económica no Egito, participando na construção da nova capital administrativa do país.
A tecnológica chinesa Huawei lançou também, em 2024, um serviço de computação em nuvem destinado ao mercado egípcio, incluindo ferramentas de inteligência artificial (IA), modelos de linguagem em árabe e bases de dados.
A visita ao Cairo sucede à participação de Xi numa cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada esta semana em Bisqueque, capital do Quirguistão.
O Presidente chinês deverá deslocar-se na próxima semana à Índia para participar na cimeira do bloco de economias emergentes BRICS, em Nova Deli, com líderes de países como Rússia, Brasil, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A série de deslocações antecede uma prevista visita de Estado de Xi a Washington, em setembro, retribuindo a deslocação de Trump a Pequim, em maio.
Desde a pandemia, o líder chinês reduziu significativamente as viagens ao estrangeiro, privilegiando a receção de dirigentes internacionais na capital chinesa.
Na cimeira da OCX, Xi defendeu que os Estados-membros devem impedir "forças externas" de interferirem nos seus assuntos internos, ameaçarem a sua segurança política ou prejudicarem a estabilidade regional.
O líder chinês procurou ainda apresentar os avanços do país na inteligência artificial como um instrumento de cooperação internacional, anunciando a criação de um centro internacional para a aplicação de IA e 100 projetos de cooperação tecnológica com os membros da OCX nos próximos três anos.
A aproximação diplomática chinesa enfrenta, no entanto, reservas em vários países, devido sobretudo ao impacto dos elevados excedentes comerciais chineses sobre as indústrias lo
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