"Único no planeta": o homem que enganava turistas com um falso anfiteatro no coração da Europa
Das oito avaliações do TripAdvisor sobre o anfiteatro perto de Arcugnano, na região de Veneto, no norte de Itália, todas são elogios entusiasmados, com cinco estrelas.
"Um mundo para além do espaço e do tempo", entusiasma-se outra. "Definitivamente um dos melhores sítios que já visitei", elogia uma das publicações.
"Único no planeta", escreve outro visitante. Esta última foi profética, porque o teatro era realmente único. Não era grego, como afirmava ser. Nem sequer romano.
Em vez disso, o "gentil zelador", que era "mais ou menos um historiador e um excelente narrador", como outro visitante o descreveu, construiu-o com as suas próprias mãos. Este mês, após uma batalha judicial de 10 anos, o proprietário foi detido por falsificar obras de arte, realizar obras de construção sem autorização e destruir uma paisagem protegida.
O caso escandalizou Itália, um país que ultrapassa a China por pouco em número de Patrimónios Mundiais da UNESCO e alberga muitos teatros gregos e romanos legítimos, desde os de Siracusa e Pompeia, onde as produções ainda são encenadas todos os verões, até ao anfiteatro de Verona, a 64 quilómetros a oeste de Arcugnano, que se transforma num mega palco para óperas durante o verão.
Franco Malosso, o proprietário, criador e autoproclamado descobridor do sítio “antigo” de quase cinco mil metros quadrados, cobrava aos visitantes até 40 euros para visitar o “teatro” que ele próprio construiu.
Numa encosta com vista panorâmica, e depois de contratar uma empresa de construção local, construiu assentos e degraus que, segundo as provas apresentadas em tribunal, foram artificialmente envelhecidos. De seguida, acrescentou algumas colunas de cimento e estátuas de gesso sobre o pequeno “lago” que ele próprio escavou.
As tradicionais bancadas, que segundo ele foram construídas à mão pelos antigos gregos há mais de dois mil anos, foram erguidas por construtores do século XXI com recurso a máquinas. Utilizaram pedra recém-extraída da Puglia e cimento, enquanto uma parede de suporte foi revestida com poliestireno, de acordo com documentos judiciais partilhados com a CNN.
"Só a ideia disto já é insana", diz Darius Arya, arqueólogo e diretor do Ancient Rome Live, à CNN, classificando o projeto de Malosso como "diabólico" e "terrível".
De acordo com as provas apresentadas em tribunal, Malosso terá promovido concertos e apresentações dentro do recinto, que teve pelo menos três nomes: Anfiteatro Berico, Anfiteatro Marittimo Berico e Anfiteatro Porta degli Angeli. Conduzia também visitas guiadas pelo sítio arqueológico, segundo a acusação.
Para qualquer pessoa com um conhecimento básico de história antiga, os sinais de alerta eram inúmeros. O edifício de Malosso era um teatro em forma de leque, não um anfiteatro, que é oval. Não ficava perto do mar, como sugere "Marittimo" — Arcugnano fica a cerca de 80 quilómetros da costa. Também não existia no local uma antiga "Porta dos Anjos" (Porta degli Angeli).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.