O que o Japão nos ensina sobre IA e inverno demográfico
Se quisermos antecipar de que forma a tecnologia poderá ajudar Portugal e outros países europeus a enfrentar o inverno demográfico que se fará sentir ao longo das próximas décadas, o Japão constitui um laboratório vivo a que devemos estar atentos.
Há mais de 30 anos que este país asiático convive com baixo crescimento económico, envelhecimento e, mais recentemente, uma diminuição acentuada da população.
Em 2025, o Japão tinha pouco mais de 123 milhões de habitantes, cerca de três milhões a menos do que cinco anos antes.
E cerca de 30% dos japoneses têm hoje 65 ou mais anos.
O extraordinário é que esta contração demográfica não produziu o colapso económico que uma leitura meramente aritmética da relação entre população e riqueza poderia fazer prever.
Produziu, isso sim, uma enorme pressão para que as empresas e as instituições aprendessem a funcionar com menos trabalhadores.
A robotização é uma parte desta resposta.
O Japão percebeu mais cedo do que a generalidade das economias desenvolvidas que uma sociedade onde falta mão de obra tem de encontrar formas de aumentar a produtividade das pessoas que continuam a trabalhar.
É aqui que a experiência japonesa se torna particularmente interessante para a Europa.
Temos tendência para imaginar a relação entre tecnologia e trabalho como um jogo de soma zero.
Se entra uma máquina, sai uma pessoa.
Se a Inteligência Artificial passar a desempenhar determinada função, haverá necessariamente menos um emprego.
E se as máquinas conseguirem compensar a diminuição da população ativa europeia, talvez também precisemos de menos imigração.
Mas não é necessariamente assim.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.