Que Se Lixem As Eleições | Carlos Mimimi Moedas
Carlos Moedas é, à sua medida, uma estrela das redes sociais. Produz muitos vídeos. É talvez a única produção em que se destaca, embora os lisboetas o tenham eleito para dirigir a autarquia e não para dirigir curtas-metragens. Mas, enfim, cada um é para o que nasce e foca-se naquilo em que é proficiente. Quando sai à rua, é costume Moedas levar atrelada uma equipa de imagem e ter um microfone na lapela, porque há sempre o potencial de, ao virar da esquina, ter um qualquer conteúdo capaz de viralizar. Menos provável é que tome uma qualquer decisão que beneficie quem vive e trabalha na capital.
Podia ser um daqueles casos em que se diz que não se pode ter tudo. Por sinal, até se pode: não há nenhuma incompatibilidade entre ser um autarca com grande capacidade de comunicação e forte presença nas redes sociais e, em simultâneo, ser capaz de delinear boas políticas públicas. Nem preciso de dar o caso do mayor de Nova Iorque, Zohran Mamdani, campeão das redes sociais que, em simultâneo, está a promover uma revolução tranquila na sua cidade. Por sinal, uma cidade ligeiramente mais difícil de governar do que Lisboa. Portanto, sim, pode-se ter tudo. Mas não com Carlos Moedas.
A verdade é que ser uma estrelinha das redes sociais chegou para Moedas ser reeleito. Dir-se-á que a principal adversária que enfrentou lhe facilitou a tarefa. Mentira não é. Mas quem a escolheu que enfie a carapuça — Moedas limitou-se a aproveitar as fraquezas alheias. O que não significa que se deva ser complacente com a sua governação (chamemos-lhe assim…) da capital e com o seu estilo de permanente lamúria, queixinhas e desresponsabilização. Este texto é sobre isso.
Num dos últimos trabalhos, Carlos Moedas queixa-se do estado em que está a rede de bicicletas municipais Gira. Digo “trabalho” porque os vídeos de Moedas para o TikTok e afins são, sem sombra de dúvida, a parte que leva mais a sério enquanto autarca, e o produto mais visível do seu… cof, cof… trabalho.
O alcaide de Lisboa mostra o estado de degradação em que estão os postos de estacionamento das bicicletas Gira, uma realidade que qualquer utilizador das ditas conhece há muito. Equipamentos vandalizados, uns a seguir aos outros, e em muitos casos com sinais evidentes de vandalização que não é recente. Qualquer lisboeta que utilize as bicicletas municipais sabe o que a casa gasta: uma app cheia de problemas, veículos cuja manutenção deixa muito a desejar, e dezenas (centenas?) de bicicletas inutilizadas pela simples razão de que as respetivas docas de levantamento e estacionamento foram avariadas por vândalos.
Moedas denuncia esta situação exatamente como têm feito muitos cidadãos anónimos, e algumas associações promotoras de meios de mobilidade suave em Lisboa. Com uma diferença: é Moedas quem pode responder a este problema. Quem tem o poder, e os meios, de assegurar a manutenção destes equipamentos. Mas o presidente da câmara limita-se à denúncia, naquele tom lamuriento de que tudo lhe acontece e ele, coitado, não pode fazer nada em relação a isso. De um responsável político espera-se mais do que de um cidadão zangado e frustrado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.