A Figura do Dia. Bruno Nogueira
A II Temporada de Ruído incomoda.
E faz bastante mais do que apenas isso: indigna, revolta, indispõe e escandaliza.
Não consigo sorrir no sketch do padre pedófilo com Jesus Cristo na cruz, não consigo esboçar uma reação ao ver o sacerdote a utilizar a hóstia como ritual sexual.
Como não me dá para rir quando um pai e uma mãe são confrontados pelo diretor de turma com a estupidez do seu filho.
Ou com a criancinha que compara o prazer que lhe dá matar gatos com a volúpia de estropiar cães.
"A arte – volto à arte – não vive sem inquietação, sem transgressão, sem agredir quem lê, ouve ou vê.
Bruno Nogueira não está aqui para ser amado" Ou com o menu para piços ou com a sátira aos programas televisivos da tarde ou com o campo de treino para criar fascistas ou com uma visita guiada a uma exposição de quadros cancelados por motivos que não são aceitáveis para a elite.
Nada me faz rir.
Quase tudo me incomoda, me revolta, me indigna, me indispõe e escandaliza.
E é precisamente por isso que é um programa extraordinário.
É precisamente isso que distingue aquilo que fica do que é consumido como pastilha elástica.
Ruído é de uma enorme coragem.
Porque a democracia está soluçante, não problematiza, não cria pontes de entendimento, não vive para lá da superfície e de uma polarização que reduz seres humanos a macacos amestrados.
"Nada me faz rir.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.