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PJ. Rede desmantelada fez burla de 80 mil euros

Observador ·
PJ. Rede desmantelada fez burla de 80 mil euros

A sinalização chegou às autoridades através de várias denúncias de burla. O alerta deu início a uma investigação da Polícia Judiciária (PJ) que se estendeu a quase todo o território nacional e terminou agora, dois anos depois, com a detenção de oito pessoas. Desde 2024, a PJ detetou dezenas de vítimas que, no total, terão sido burladas em cerca de 80 mil euros por um grupo com longo historial no mundo do crime.

“A vítima que lhe viu subtraído o valor maior terá sido na casa dos 16 mil euros, na venda de um automóvel”, explicou José Monteiro. Apesar de a maioria das vítimas estar localizada no norte do país, “nomeadamente na região do Minho”, os suspeitos são quase todos da zona Centro ou Sul de Portugal, o que obrigou a uma maior coordenação das autoridades.

Os sete suspeitos principais — houve um oitavo detido no decorrer das buscas, mas por posse de arma que será investigada à parte — tinham laços familiares, ou pelo menos uma relação de amizade muito forte, como descreveu o responsável pela PJ de Braga. Esta proximidade explica a dispersão geográfica de um grupo que foi desmantelado após a realização de seis buscas domiciliárias em casas na Nazaré, Tondela, Évora, Vila Viçosa e Setúbal.

Estas “mulas de dinheiro”, na tradução literal para português, são pessoas que recebem dinheiro “na sua conta bancária” e que o transferem “para um terceiro” elemento ou levantam esse dinheiro para entregá-lo a outra pessoa, ficando com uma pequena percentagem.

“Mesmo que as Money Mules não estejam diretamente envolvidas nos crimes que geram o dinheiro (o cibercrime, pagamentos e fraude on-line, drogas, tráfico de seres humanos, etc.), são cúmplices, dado que lavam o dinheiro proveniente destes crimes. Simplificando, as Money Mules ajudam as organizações criminosas a permanecer anónimas enquanto movimentam fundos à volta do mundo”, explica o BPI .

“Mais de 90% das transações com Money Mules identificadas através das ações europeias Money Mule estão ligadas ao cibercrime. O dinheiro ilegal provém geralmente de atividades criminosas como phishing, ataques de malware, fraude em leilões on-line, fraude de comércio eletrónico, comprometimento de e-mail comercial (BEC) e fraude CEO, “romance scams”, fraude de férias (fraude de reserva), entre outras”.

Neste caso, serão “dezenas” de mulas angariadas precisamente para receberem o dinheiro subtraído às vítimas. Por que surgem estes intermediários? “Para que os valores extorquidos às vítimas não entrem diretamente no património dos delinquentes principais”, explicou José Monteiro. “O recurso a estas pessoas que disponibilizam a sua identidade para este tipo de contas tem aqui um papel absolutamente fundamental, porque acaba por introduzir uma série de camadas entre as vítimas e os beneficiários finais dos respetivos valores, o que naturalmente também dificulta depois o trabalho da polícia de investigação na reconstituição do percurso do dinheiro”.

Apesar de muitas estarem identificadas, não foi possível deter as dezenas de mulas sinalizadas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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