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O nome dele é Wladimir Rodrigues Alves, mas para nós é o eterno Wlá

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O nome dele é Wladimir Rodrigues Alves, mas para nós é o eterno Wlá

Eu tinha 9 anos quando o Wladimir se tornou titular do Corinthians. Acompanhei sua transição para assumir a lateral esquerda no lugar do então titular, Pedrinho, mesmo quando a camisa de jogo ainda era maior que ele. Foi impressionante como o Wladimir, com enorme talento e personalidade, tomou conta da posição.

De cara, ele mostrou que também era diferente da maioria dos jogadores por, desde muito cedo, entender e se manifestar de forma antirracista.

Em 1980, quando subi para treinar com os profissionais com o treinador Orlando Fantoni, pude ver mais de perto a dedicação e a seriedade com que ele encarava os treinamentos e os compromissos.

Como jogador da base, atuei em diversas preliminares do profissional. Portanto, cansei de ver o Wladimir em ação antes de jogar com ele.

Pois bem. Em 1982, com 18 anos, voltei ao Corinthians em janeiro, após ser emprestado para a Caldense. Foi quando as coisas começaram a ficar mais claras e interessantes.

Comecei a jogar e ver de dentro de capacidade e o potencial do Wlá para marcar, mas principalmente para atacar.

Tenho propriedade para relatar isso, porque o Corinthians da Democracia Corinthiana não jogava com ponta esquerda —o camisa 11 era o Biro-Biro.

Eu era um camisa 9 de movimentação, com preferência caindo sempre no espaço vazio que o Biro deixava. Fiz diversas jogadas ofensivas através de tabelas com o Wladimir apoiando. Era um fator de desequilíbrio para a defesa adversária.

Mas o lado que mais interessa falar foi sobre a convivência do vestiário, a convivência social e a descoberta dos pensamentos, da ideologia e da filosofia de vida do Wladimir.

Nos identificamos rapidamente em muitos aspectos, principalmente nas lutas sociais e políticas.

Ele era um cara muito esclarecido e atuante na defesa da democracia e da comunidade negra, profundo conhecedor sobre a luta dos Direitos Civis nos Estados Unidos, sendo mais próximo ideologicamente do Dr. Martin Luther King Jr do que do Malcolm X, mas admirador de ambos.

Wladimir foi muito injustiçado na seleção brasileira. Ele merecia estar na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, mas o treinador Cláudio Coutinho convocou Edinho, quarto zagueiro do Fluminense, para a lateral esquerda, junto com o Rodrigues Neto.

Não havia nenhum motivo para excluir o Wladimir, que havia sido campeão paulista em 1977 e estava voando em 1978. Na minha visão, foi uma questão política e bairrista.

Ele poderia ter ido também em 1982, para a reserva do Júnior, mas o escolhido foi o Pedrinho, que estava no Vasco e também jogava muito. Nesse caso, vejo como uma escolha pessoal, normal, do Telê Santana. Os dois poderiam e mereciam ir, mas cabia apenas um.

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