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Pesquisadores criam “vacina inteligente” contra chikungunya

Poder360 ·
Pesquisadores criam “vacina inteligente” contra chikungunya

Estratégia desenvolvida por cientistas da USP usa vírus geneticamente modificado que se replica só uma vez no organismo

Pesquisadores da Universidade de São Paulo e colaboradores alemães desenvolveram uma estratégia inovadora para a produção de vacinas. Em artigo publicado na revista npj Vaccines , o grupo apresenta a criação de um “imunizante inteligente” a partir de uma versão geneticamente modificada do vírus chikungunya. A vantagem dessa tecnologia é que o patógeno só consegue se replicar uma vez no organismo –o estímulo exato e seguro para treinar o sistema imune a gerar anticorpos, sem apresentar riscos de causar a doença.

Nos testes iniciais feitos em camundongos, uma única dose da formulação foi capaz de proteger os roedores. Mais do que uma solução promissora contra o chikungunya, os resultados abrem caminho para a consolidação de uma nova plataforma vacinal, cuja base tecnológica poderá ser adaptada para o combate a outras doenças no futuro.

“A ideia foi criar um vírus que entra na célula e ativa o sistema imune, mas é fisicamente incapaz de se tornar infeccioso. Assim, o imunizado não apresenta sintomas nem corre o risco de desenvolver a doença. Isso é importante, pois permite uma proteção robusta sem risco de efeitos colaterais, ampliando o uso também para pessoas imunossuprimidas e idosos” , diz Danillo Lucas Alves Esposito , pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e 1º autor do estudo.

A investigação recebeu apoio da Fapesp por meio de 3 projetos ( 17/19137-7 , 18/11939-0 e 23/09619-5 ) e foi conduzida em parceria com uma equipe da Universidade de Bonn (Alemanha).

Tradicionalmente, as vacinas são produzidas para treinar o sistema imune a partir de vírus atenuados (enfraquecidos por meio de mutações genéticas) ou inativados (incapazes de se replicar). Mais recentemente, a ciência desenvolveu tecnologias que dispensam o uso do patógeno inteiro. Surgiram assim as vacinas de subunidades proteicas (feitas apenas com fragmentos isolados do vírus), as recombinantes (que utilizam proteínas virais produzidas artificialmente em laboratório), as conjugadas (que unem um pedaço do patógeno a uma proteína mais forte para potencializar a resposta imune) e as de vetor viral (que usam um vírus inofensivo como “veículo” de entrega do antígeno). Há ainda as modernas vacinas de DNA e RNA, que fornecem as instruções genéticas para que as próprias células do paciente fabriquem a proteína viral e gerem a defesa imunológica.

A nova plataforma proposta no estudo utiliza uma estratégia inédita baseada na inoculação de vírus incapazes de completar a maturação dentro da célula do hospedeiro e de se tornarem infecciosos, apesar de garantir a proteção contra infecções futuras.

“Isso é importante, pois hoje temos uma vacina de vírus atenuado contra o chikungunya que, após um período de suspensão, em 2025, voltou a ser aprovada pelo FDA [agência norte-americana que regula medicamentos] , porém com restrições.

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