Estudo da USP usa estimulação cerebral para reduzir desejo por comida em pessoas obesas
Apenas cinco dias de estimulação cerebral não invasiva, combinados a sessões de educação nutricional, foram capazes de reduzir o desejo intenso por comida (food craving) em mulheres com obesidade.
Os resultados vêm de um estudo-piloto conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e publicado na revista Physiology & Behavior.
A obesidade é considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo – e sua prevalência é maior entre as mulheres.
Projeções do World Obesity Atlas indicam que, em 2030, aproximadamente 346 milhões de homens terão obesidade grau 1 – índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 34,9 kg/m2 – e 141 milhões terão obesidade grau 2 (entre 35 e 39,9 kg/m2) ou mais.
Entre as mulheres, esses números são 399 milhões e 244 milhões, respectivamente.
Além das alterações metabólicas, como resistência à insulina, estudos de neuroimagem indicam que a doença está associada também a mudanças em áreas do cérebro relacionadas ao controle cognitivo, à recompensa e ao comportamento alimentar.
Uma dessas regiões é o córtex pré-frontal dorsolateral, envolvido na tomada de decisão e na autorregulação.
Especula-se que a atividade dessa área do cérebro possa estar reduzida em pessoas com obesidade.
No estudo, a região foi alvo da estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, na sigla em inglês) – técnica indolor e não invasiva que consiste em aplicar uma corrente elétrica de baixa intensidade (2 miliamperes, no caso) sobre o couro cabeludo por meio de eletrodos esponjosos embebidos em soro fisiológico, modulando a excitabilidade dos neurônios da região-alvo.
A investigação foi conduzida com apoio da FAPESP.
Como foi feito No experimento, 11 mulheres entre 20 e 40 anos, com obesidade grau 1 ou 2, receberam três sessões de 20 minutos por dia (15 aplicações no total) de estimulação ativa, feita com corrente elétrica de baixa intensidade e aplicada por eletrodos posicionados sobre a cabeça, durante cinco dias consecutivos.
Um grupo-controle com o mesmo número de participantes recebeu apenas estimulação simulada.
Entre uma sessão e outra, havia intervalos de 20 minutos, usados para atividades de educação nutricional.
Foram abordados temas como nutrientes, saciedade, alimentação consciente, leitura de rótulos, hidratação, sono, fome física e emocional e controle das porções.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.