Medicina conhece menos o corpo feminino do que deveria, diz ginecologista
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A medicina ainda conhece menos o corpo feminino do que deveria, segundo a ginecologista e pesquisadora Stephani Caser. Para ela, a sub-representação histórica das mulheres em pesquisas clínicas criou lacunas no diagnóstico e no tratamento que persistem até hoje, apesar de alguns avanços.
Mestranda em ginecologia na Unifesp ( Universidade Federal de São Paulo) e cofundadora da See Me, empresa brasileira voltada à saúde íntima feminina, Caser afirma que a própria trajetória da pesquisa científica ajuda a explicar por que problemas que afetam mulheres ainda são menos compreendidos.
Durante décadas, homens foram usados como referência em pesquisas porque o ciclo menstrual, as oscilações hormonais e a possibilidade de gravidez eram vistos como fatores capazes de aumentar a variabilidade dos resultados e os custos dos estudos.
Para Caser, porém, essas diferenças deveriam ser justamente objeto de investigação. O corpo feminino não é apenas um corpo masculino com diferenças anatômicas: sintomas podem se manifestar de forma distinta, assim como a resposta a medicamentos e tratamentos.
Um exemplo é o infarto. Em mulheres, o quadro pode e apresentar sintomas diferentes da dor no peito mais conhecida, o que pode dificultar o reconhecimento.
Um posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia publicado em 2025 afirma que mulheres continuam sub-representadas em ensaios clínicos de doenças cardiovasculares e cardiometabólicas , e parte das recomendações é baseada em evidências indiretas ou extrapoladas de estudos com maioria masculina.
À Folha , Caser cita como um marco nessa história uma orientação adotada nos Estados Unidos. Em 1977, o FDA (Food and Drug Administration) recomendou excluir mulheres em idade fértil das fases iniciais de estudos clínicos de medicamentos, em uma tentativa de proteger possíveis fetos de efeitos ainda desconhecidos.
A medida contribuiu para manter mulheres fora das primeiras etapas do desenvolvimento de medicamentos. Em 1993, o órgão revogou a orientação e publicou uma diretriz para avaliar diferenças entre homens e mulheres na resposta aos medicamentos.
A mudança, porém, não eliminou as lacunas. O problema também estava na pesquisa pré-clínica, etapa que antecede os testes em humanos e envolve estudos com células e animais. Nessa fase, o sexo dos modelos biológicos nem sempre era considerado uma variável relevante, o que podia deixar de revelar diferenças na resposta a doenças e tratamentos.
Em 2015, o NIH (National Institutes of Health), principal agência federal de pesquisa biomédica dos Estados Unidos, passou a exigir que os pesquisadores considerassem o sexo como variável biológica nos estudos com humanos e animais vertebrados que financia. A política entrou em vigor para novas solicitações de financiamento em janeiro de 2016.
As diferenças também aparecem no atendimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.